É uma ilha em forma de cão sentado com a cabeça inclinada para perscrutar o enigma da água. O cão tem as orelhas fitas porque recebe notícias de vento ao mesmo tempo que cheira e olha o mar. O cão está sentado no Atlântico. Herberto Helder, Photomaton & Vox
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
O que trouxe o pai natal capitalista
As laudas e primas revolucionárias são banda sonora deste natal... sim, porque sou proletariamente curioso!
sábado, 11 de dezembro de 2010
E um toque de galeico
LCaoineadh na dTrí Muire (o Lamento das três Marias), cantado por alguém que muito admiro, o cantor Irlandês Iarla O Lionaird.
domingo, 5 de dezembro de 2010
De repente este blog ficou com um cheiro a mofo e a incenso...
É preciso abrir uma janela para ver se entra ar fresco...
Nunca ví ninguém a ser tão incensado como este fim-de-semana. Ainda para mais, alguém a quem não dou um chavo...
É assim que os mitos nascem, com Santanas Lopes, Freitas dos Amarais e "chefes de famílias" desta Respublica Christiana a adorarem santos retrógrados... santos que antes do 25 de Abril tinham uns discursos do mais à direita possível (digo isto com a bitola e air du temp da época). Vejam os jornais... vejam... há... é chato essa coisa da escrita e da memória...
a política escreve-se na espuma dos dias... a História escreve-se no bronze...
O que mais me mete nojo são políticos a quererem criar mitos...
Nunca ví ninguém a ser tão incensado como este fim-de-semana. Ainda para mais, alguém a quem não dou um chavo...
É assim que os mitos nascem, com Santanas Lopes, Freitas dos Amarais e "chefes de famílias" desta Respublica Christiana a adorarem santos retrógrados... santos que antes do 25 de Abril tinham uns discursos do mais à direita possível (digo isto com a bitola e air du temp da época). Vejam os jornais... vejam... há... é chato essa coisa da escrita e da memória...
a política escreve-se na espuma dos dias... a História escreve-se no bronze...
O que mais me mete nojo são políticos a quererem criar mitos...
terça-feira, 23 de novembro de 2010
O senhor Antunes no Hospital
Um bom livro, mas não é o melhor do senhor Antunes, ao contrário do que vi escrito em muito jornal e revistas. Opiniões. Mas é do senhor António... e um livro mediano do senhor Lobo bate qualquer coisa que seja publicada neste país e que tenha a pretensão de ser literatura. Este homem merece todos os prémios do mundo, se bem que de prémios está o mundo literário cheio. Para mim o próximo Nobel português. Ao mesmo nível do outro, o sábio que vimos partir este ano e que nos deixou as melhores parábolas de sempre. Este descreve a mente humana, portuga de nascença, como ninguém.
as primeiras coisas eram verdes ou azuis
duras esmeraldas umas, outras animais, vibrantes
quando lhes toca a luz; o mais das vezes encostados
à parede do estábulo, com grandes olhos húmidos
e um precipício ao fundo ( e as nuvens são o seu bafo).
e no entanto, visto à distância exacta, tudo se transforma:
o cenário do mundo é só um infinito espaço
cheios de coisa nenhuma, e a luz o puro efeito
de dois deuses menores que marcam o compasso.
é certo que, na chuva, o teu corpo anuncia
com seu distante olhar, um prazer que não cabe
na estreiteza da fábula; um céu, não duvidemos,
acolhe o terno gesto que não foi.
já na parede a meio branca traço, a contragosto,
o tempo mal passado que apodrece, e numinante encosto
ao tampo de água o bico ou pincel fosco
onde surgira, de repente, nada.
os portões oscilam, e a erva adiante, se nos aproximamos.
claramente vejo como te divides
num infinito número simultâneo de mundos.
as palavras celebram, mudas, a água na paisagem,
verde ou azul, conforme desejaste.
avanço imóvel, descalço sobre a erva,
e quando fecho os olhos invade-me a luz por dentro
compacta, completa, como as coisas primeiras.
António Franco Alexandre
sábado, 16 de outubro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Cantiga da Roda
Cantiga da Roda - Documentário de Michel Giacometti Povo que Canta, década de 70 do século XX.
Catarina Chitas - uma paixão de anos
Catarina Chitas (Restolho/Penha Garcia)- Documentário de Michel Giacometti Povo que Canta década de 70 do século XX.
A palavra, a música, o sublime protesto, o gosto popular
Era Uma Vez Um Cantor Maldito, Fausto Bordalo Dias (do álbum A Ópera Mágica do Cantor Maldito).
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Do Jornal da Madeira
Estou de férias na ilha...
Hoje, despertei com um jornal pseudo-gratuito à porta de casa.... um tal Jornal da Madeira, qual maná dos pobres de espírito e educador das massas de beligerância insular.... órgão oficial de uma diarreia cerebral de três torrentes: o fascismo insular pré 25 de Abril; a Igreja Católica madeirense (não digo mais nada... bispo, beijo o seu anel) e os amiguitos petazetas da FLAMA, a famosa frente de Libertação da Madeira, formada por meia dúzia de arruaceiros de famílias de "bem", alguns deles bem sentados no parlamento regional, um local da sacrossanta ignorância e palavrão ouvido com muita frequência, muito mais do que os impropérios que eu oiço quando dou uma volta pelas Malvinas, fazendo ainda lembrar os epítetos largados ao vento ouvidos quando passava pelo antigo Bairro do Borrão.
E ainda há quem diga que o pasquim não é nada tendencioso e que transporta uma visão verdadeiramente independente... Deixem-me rir... O número de hoje apresenta na primeira página a letra cor de Laranja (uma cor tão bonita!!! tão semiótica, tão enternecedora, tão popular, só falta a chaminé...) a lírica mensagem: "Se quer viver informado, leia o Jornal da Madeira... se quer conflitos inúteis, leia e oiça outros...".
Ai, povo enganado....
Hoje, despertei com um jornal pseudo-gratuito à porta de casa.... um tal Jornal da Madeira, qual maná dos pobres de espírito e educador das massas de beligerância insular.... órgão oficial de uma diarreia cerebral de três torrentes: o fascismo insular pré 25 de Abril; a Igreja Católica madeirense (não digo mais nada... bispo, beijo o seu anel) e os amiguitos petazetas da FLAMA, a famosa frente de Libertação da Madeira, formada por meia dúzia de arruaceiros de famílias de "bem", alguns deles bem sentados no parlamento regional, um local da sacrossanta ignorância e palavrão ouvido com muita frequência, muito mais do que os impropérios que eu oiço quando dou uma volta pelas Malvinas, fazendo ainda lembrar os epítetos largados ao vento ouvidos quando passava pelo antigo Bairro do Borrão.
E ainda há quem diga que o pasquim não é nada tendencioso e que transporta uma visão verdadeiramente independente... Deixem-me rir... O número de hoje apresenta na primeira página a letra cor de Laranja (uma cor tão bonita!!! tão semiótica, tão enternecedora, tão popular, só falta a chaminé...) a lírica mensagem: "Se quer viver informado, leia o Jornal da Madeira... se quer conflitos inúteis, leia e oiça outros...".
Ai, povo enganado....
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Chico Buarque - Construção
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Trilogia
Fausto e Orlando Costa- Excerto da Peça de Teatro Fernão Mentes & A Voar Por Cima das Águas (Por este rio acima).
Fausto Bordalo Dias está a terminar a trilogia musical baseada em textos da História dos descobrimentos portugueses. Aos senhores que pensam retirar destas canções laudas e hagiografias a Infantes e heróis incensados por uma certa historiografia estatal, positivista e mofenta, muitas vezes oficializada e ouvida em bocas de gente que valha-nos deus (com letra pequena e está muito bem assim...), o portugalzito dos quatro mares pintalgados e dos senhores de turbante e bigode retratados em painéis (ditos de São Vicente) que não são mais do que a porra nenhuma e que muita tinta já correu e correrá (estou a divagar...). Voltando à vaca fria... Sim meus senhores, enganam-se redondamente. O autor não incensa ninguém. É pura música, e da melhor (agora incenso eu... mas este senhor merece). Fausto parte da documentação escrita na época dos descobrimentos (1.º Peregrinações, de Fernão Mendes Pinto [o que eu sonhei quando li este livro] 2.º História Trágico-Marítima de Bernardo Gomes de Brito, 3.º cronistas como Gomes Eanes de Zurara [escrevi uma tese a bater neste senhor. Sim, é um plagiador da Virtuosa Benfeitoria do Infante D. Pedro e não só... até mete dó], Cadamosto, Conde de Ficalho, André Álvares de Almada e P. Francisco Álvares) e constrói um conjunto de canções que têm por base a raiz da música popular portuguesa. Verdadeiras obras primas saíram nos dois volumes já lançados. Desde o "Barco Vai de Partida", à "Ilha", do "Ao som do mar e do vento" (absolutamente brilhante) ao "Na ponta do cabo", passando pelo lirismo em ritmo de adufes do "Lembra-se um sonho lindo" e das influências exóticas do "Porque não me vês" e do "Por este rio acima". Este último foi o título escolhido do primeiro volume, inspirado nas histórias fantásticas de Fernão Mendes Pinto. Constitui-se numa verdadeira pérola da musica popular portuguesa, reconhecida para além fronteiras. Alguns anos atrás (era eu caloiro na UC), um colega italiano, adepto de serões no La Scala (sim, o de Milão),passava a vida a trautear o "Como um sonho acordado" e pediu-me encarecidamente para traduzir a letra para inglês. Depois da tradução feita (nessa altura não existia o tradutor rasca do Google) ele olhou para o papel e disse: "É isto, é isto mesmo... com esta música não podia deixar de ser isto...."(não, foi da minha tradução, que não estava assim tão má... vá lá... não me chateiem...). Horas depois chegou ao pé de mim com o Peregrinações por debaixo do braço. O segundo volume, intitulado "Crónicas da Terra Ardente" não foi tão reconhecido pelo público. É o meu preferido (para muitos, o que afirmei agora é a mais pura das heresias). Explico. A História Trágico Marítima (uma obra extremamente interessante) não é tão conhecida como o Peregrinações e, muito menos tem o espírito sonhador do Fernão Mendes Pinto (muito bem desenhado nas canções feitas por Fausto), embora tenha imagens muito fortes, com a descrição sucessiva dos naufrágios de algumas embarcações e a tentativa, desesperada, dos tripulantes sobreviverem ao massacre do mar. Estes cenários apocalípticos são esplendidamente invocados pela música e letra do cantautor, como por exemplo na canção (um verdadeiro tratado da musica popular portuguesa) "Na Ponta do Cabo" ou então no remorso do "Manuel de Sousa Sepúlveda" e até mesmo na quase cinemática "A Chusma salva-se assim" (Gaspar Ximenes calado/ Não chores alto cuidado/ Tu chora só no coração/ Senão vais como o teu irmão/ Ás arfadas/ Aos arrancos em prantos/ E às golfadas...). Pena que as misturas do álbum e o próprio estúdio não sejam grande coisa. Mereciam o melhor estúdio do mundo para gravar o que considero ser um dos melhores álbuns de sempre! Quem me dera que fosse gravado nos estúdios da Real World do Peter Gabriel, aí queria ver qual dos dois álbuns seria o melhor (e com isto não pensem que não gosto do primeiro... não, gosto mais das canções do segundo). O 3.º volume da trilogia sairá no final deste ano. Lá vou queimar o meu ourinho todo... todinho. Lá terá de ser. O mais interessante, para além da letra e da música (obviamente), é a escolha dos trechos e dos cronistas dos descobrimentos. Por dever de ofício, conheço quase todos e li alguns dos registos históricos dos autores já apontados pelo programa do espectáculo que Fausto deu no CCB, onde descortinou mais de meia dúzia das canções que constarão no próximo CD. Que venha... que venha....
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Como me sinto depois de me lixarem a vida... para não dizer outra coisa
Eu venho das horas do diabo
Venho mais negro do que a vida
Quem me deitou um mau olhado
Com a boca posta de lado
Com sete pragas rangidas
Não foi bruxo
Nem feiticeira
Namoradeira
Nem foi Deus
Nem foi Belzebu
Lá estás tu
Foi esta cidade
Esse muro
Aquele estranho futuro
A tropeçar na avenida
Eu já me lancei na bebida
Trago o corpo esquinado
A insinuar um bailado
Vou-me rir muito
Vou gozar mais
Vou cantar o sol-e-dó
Perder-me em doses fatais
Tu vais ver só
O pé de vento que se vai levantar
Comigo a rodopiar
Coça, coça a barriga
Pantominas
Coça, coça a barriga
Patavinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Coça, coça a barriga
Vitaminas
Coça, coça a barriga
Nicotinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Os meus olhos são vaga-lumes
Inquietos num claro vazio
Vacilam em noites suicidas
Insinuam despedidas
À deriva meu navio
Amanhã não sei o que virá
O que será
Dá saudades minhas lá no bairro
Cara Linda
Vou partir como um condenado
Amargo e desfuturado
Achincalhando no fundo
E ao chegar à beira mundo
Abrir então os meus braços
P´ra me lançar no espaço
Vou-me rir muito
Vou gozar mais
Vou cantar o sol-e-dó
Perder-me em doses fatais
Tu vais ver só
O pé de vento que se vai levantar
Comigo a rodopiar
Coça, coça a barriga
Pantominas
Coça, coça a barriga
Patavinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Coça, coça a barriga
Vitaminas
Coça, coça a barriga
Nicotinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Bate forte meu coração
Salta minha fera encurralada
Já ninguém ouve o teu pregão
Tua mais linda canção
Futurando as madrugadas
Vou fugir contigo p´ra Manágua
Olhos-d´Água
Ainda um dia destes sou feliz
Por um triz
Darei largas à minha loucura
E já ninguém me segura
Quando eu voltar sonhador
Eu hei-de ser belo e sedutor
Tu vais por uso e costume
Enlouquecer de ciúmes
Vou-me rir muito
Vou gozar mais
Vou cantar o sol-e-dó
Perder-me em doses fatais
Tu vais ver só
O pé de vento que se vai levantar
Comigo a rodopiar
Coça, coça a barriga
Pantominas
Coça, coça a barriga
Patavinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Coça, coça a barriga
Vitaminas
Coça, coça a barriga
Nicotinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Venho mais negro do que a vida
Quem me deitou um mau olhado
Com a boca posta de lado
Com sete pragas rangidas
Não foi bruxo
Nem feiticeira
Namoradeira
Nem foi Deus
Nem foi Belzebu
Lá estás tu
Foi esta cidade
Esse muro
Aquele estranho futuro
A tropeçar na avenida
Eu já me lancei na bebida
Trago o corpo esquinado
A insinuar um bailado
Vou-me rir muito
Vou gozar mais
Vou cantar o sol-e-dó
Perder-me em doses fatais
Tu vais ver só
O pé de vento que se vai levantar
Comigo a rodopiar
Coça, coça a barriga
Pantominas
Coça, coça a barriga
Patavinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Coça, coça a barriga
Vitaminas
Coça, coça a barriga
Nicotinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Os meus olhos são vaga-lumes
Inquietos num claro vazio
Vacilam em noites suicidas
Insinuam despedidas
À deriva meu navio
Amanhã não sei o que virá
O que será
Dá saudades minhas lá no bairro
Cara Linda
Vou partir como um condenado
Amargo e desfuturado
Achincalhando no fundo
E ao chegar à beira mundo
Abrir então os meus braços
P´ra me lançar no espaço
Vou-me rir muito
Vou gozar mais
Vou cantar o sol-e-dó
Perder-me em doses fatais
Tu vais ver só
O pé de vento que se vai levantar
Comigo a rodopiar
Coça, coça a barriga
Pantominas
Coça, coça a barriga
Patavinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Coça, coça a barriga
Vitaminas
Coça, coça a barriga
Nicotinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Bate forte meu coração
Salta minha fera encurralada
Já ninguém ouve o teu pregão
Tua mais linda canção
Futurando as madrugadas
Vou fugir contigo p´ra Manágua
Olhos-d´Água
Ainda um dia destes sou feliz
Por um triz
Darei largas à minha loucura
E já ninguém me segura
Quando eu voltar sonhador
Eu hei-de ser belo e sedutor
Tu vais por uso e costume
Enlouquecer de ciúmes
Vou-me rir muito
Vou gozar mais
Vou cantar o sol-e-dó
Perder-me em doses fatais
Tu vais ver só
O pé de vento que se vai levantar
Comigo a rodopiar
Coça, coça a barriga
Pantominas
Coça, coça a barriga
Patavinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Coça, coça a barriga
Vitaminas
Coça, coça a barriga
Nicotinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Coça Barriga, Fausto
terça-feira, 6 de julho de 2010
Pérola Popular
Música Regional Portuguesa, recolha de Giacometti e Lopes Graça.
Faixa: Entrai Pastores, pertencente ao volume do Alentejo.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Nouvelle musique 90/00
Radiohead - Pyramid Song
Sigur Rós - Untitled #1 (Vaka)
BJORK, BACHELORETTE
Para não pensarem que só gramo a "Classic Music"...
terça-feira, 1 de junho de 2010
quarta-feira, 26 de maio de 2010
chanson française
Patricia Kaas, Et s'il fallait le faire
Esta mulher é boa todos os dias (desculpem a brejeirice)... A Piaf, se a conhecesse, ficaria com ciúmes...
Por incrível que pareça, esta canção foi seleccionada, em 2009, para o telelixo da Eurovisão e ficou em 8.º lugar. O povinho quer é bailarinas de coxa grossa e Kens plastificados com os biceps à mostra...
Come on girl shake your bum bum...
terça-feira, 11 de maio de 2010
Panorama nazional apostólico
Quando é que isto vai acabar?
Está em Portugal o Papa Bento XVI, manda chuva de um cubículo dentro da cidade de Roma, que tem a pretensão de tornar as nossas alminhas iguais, sem excepção.
As televisões cá do feudo não dão outra coisa. Não pensam que existe outras fés, posições ou mesmo pessoas que não estão para aí viradas.
Ontem, o Prós e Contras, mais parecia um prós e prós e prós... Não havia um contra que fosse, com palmas e mais palmas e mais palmas, quase vomitei de tanta mediocridade. O sim senhor, o sim meu chefe, o sim padre Silva, o sim senhor Presidente do Conselho, continua a durar neste país.
A pior ideologia que tivemos cá no burgo, um fascismozito (que muitos dizem que não foi) canonizado de Fátimas burlescas e de sacrossantos salazares pios, teve como base de sustentação a própria igreja católica, que viu na fantochada erguida em São Bento (de 1928 até 1974, desculpem, para mim até aos dias de hoje) um braço político para mandar num povo analfabeto e afastar diabos vermelhos de olhos e ouvidos virados para Leste.
Este país foi podre...nunca deixou de estar pobre.
Para muitos o Deus, Pátria, Família é doutrina válida ainda em pleno século XXI. Pois é, o que querem é orelhas baixas, pouco pensamento, seguindo o rebanho ordeiro e obedecendo... sim Obedecer, porque tens de obedecer.
E o dedo sujo continua.
Está em Portugal o Papa Bento XVI, manda chuva de um cubículo dentro da cidade de Roma, que tem a pretensão de tornar as nossas alminhas iguais, sem excepção.
As televisões cá do feudo não dão outra coisa. Não pensam que existe outras fés, posições ou mesmo pessoas que não estão para aí viradas.
Ontem, o Prós e Contras, mais parecia um prós e prós e prós... Não havia um contra que fosse, com palmas e mais palmas e mais palmas, quase vomitei de tanta mediocridade. O sim senhor, o sim meu chefe, o sim padre Silva, o sim senhor Presidente do Conselho, continua a durar neste país.
A pior ideologia que tivemos cá no burgo, um fascismozito (que muitos dizem que não foi) canonizado de Fátimas burlescas e de sacrossantos salazares pios, teve como base de sustentação a própria igreja católica, que viu na fantochada erguida em São Bento (de 1928 até 1974, desculpem, para mim até aos dias de hoje) um braço político para mandar num povo analfabeto e afastar diabos vermelhos de olhos e ouvidos virados para Leste.
Este país foi podre...nunca deixou de estar pobre.
Para muitos o Deus, Pátria, Família é doutrina válida ainda em pleno século XXI. Pois é, o que querem é orelhas baixas, pouco pensamento, seguindo o rebanho ordeiro e obedecendo... sim Obedecer, porque tens de obedecer.
E o dedo sujo continua.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Estados de Espírito
Apetece-me sair daqui e ir de vez para o planeta Marte.
Este país caiu em todos os lugares-comuns...
Continua o país dos três f (s). Fátima, Fado e Futebol.
Deixo aqui mais um f. Não de fé, nem de falência... mas sim outro...
F****-se.
Este país caiu em todos os lugares-comuns...
Continua o país dos três f (s). Fátima, Fado e Futebol.
Deixo aqui mais um f. Não de fé, nem de falência... mas sim outro...
F****-se.
domingo, 2 de maio de 2010
Psicologia dos pescadores, segundo Eduardo C. N. Pereira
Câmara de Lobos, vista para o Bairro do ilhéu (1890)
Uma psicologia especial distinta da do resto da população madeirense, é a dos pescadores de todos os centros piscatórios do arquipélago. Apenas desmamados criam-se, por assim dizer, dentro de água, familiarizando-se com as ondas. Aos sete amos atiram-se para dentro dos barcos, adestrando-lhes os braços na força dos remos e o corpo nas vergastadas das vagas. Como bons marinheiros singram em todas as direcções, apoitam em todas as alturas; perdem de vista a terra, a família, a vida. Não há ano que não paguem ao mar o dízimo duma , não se vista de luto meia colónia e não saiam a esmolar dezenas de órfãos sem pão. Mas mal acabam de enterrar os náufragos duma tempestade, logo se metem ao mar afrontando os elementos ainda em fúria que os matou.
Aglomerados em colónias, os pescadores formam como que uma classe à parte da restante população. Isolam-se na sua vida, costumes, dialecto e conceitos sociais. em todos os centros piscatórios há bairros próprios, por eles escolhidos livremente, onde a sua existência é hereditária em tudo, desde a posse das habitações à herança das alcunhas. [...] Estes Bairros notam-se em toda a parte por serem velhos, sujos e miseráveis; é sua feição característica e invensível contra o progresso e contra a lei. Fechando o círculo do seu isolamento, os homens agrupam-se às companhas em terra como no mar, e as mulheres trabalham e convivem dentro dessa afinidade.
Pobres, humildes, boçais e geralmente analfabetos, os pescadores limitam suas ambições aos estreitos horizontes do bairro e da família: o pão de cada dia, uma casa e um barco são as suas maiores aspirações. Têm entretanto consciência da sua inferioridade não se conformando com esse desnível social, pelo que são invejosos e maldizentes das outras classes, A alma, todavia, é grande e generosa, aberta e larga como o mar. A vida doméstica, que tem por hábitos de colmeia, dá-lhes solidariedade e independência, personalidade e carácter. Compartilham da vida em comum como do sentir e haveres; socorrem-se uns aos outras em todas as necessidades. São simples, pacíficos e bons, mas ofensa feita a um é fogo ateado em toda a colónia, e nada os intimida nem contém: armam-se de fisgas e navalhões, atiçados os homens pelas mulheres, e unidos todos em massa para a morte ou para a vida, para o que der e vier. Ciosos da sua boa fé, do honrado proceder da sua classe e da solidariedade geral, vingam todas as afrontas em comum. Rudes e impetuosos como o mar, não são subservientes nem tartufos para ninguém. Apesar de honestos, concebem a moral sem certos prejuízos e preconceitos e a promiscuidade da vida a que os obriga e habituou sua condição social, não afronta a morigeração geral dos costumes.
O contacto com a imensidade do oceano, com a grandeza das tormentas e com os mistérios do infinito, fez do pescador um contemplativo e um crente, duma fé arreigada e fortalecida pelo mar, porque este todos os dias lhes levanta o pensamento para Deus e invoca-O em horas de perigo e bendizendo-O de mãos postas, em horas de felicidade.[...]
Os santos patronos dos pescadores são seus companheiros de todas as horas e viagens, pendentes do pescoço em medalhas e escapulários, cosidos ao surrão dos casacos, lembrados nos nomes dos barcos e invocados em horas de tormenta. Não deixam, no entanto, de ser tão supersticiosos como devotos: de mistura com imagens de santos usam bentinhos ou defesas contra feitiços; à bênção de cada barco juntam um chifre de boi contra o mau olhado; quando voltam do mar sem peixe, procuram mulher de virtudes para desenfeitiçar os aparelhos.
O trabalho é para os pescadores uma necessidade como a assistência mútua um dever. O lucro pingue ou magro, reparte-se em quinhões não esquecendo o mealheiro dos inválidos e doentes, muito embora venham a adoecer de privações os que os socorrem. As economias, porém, que o pescador devia guardar em seu proveito, consome-as em álcool, muitas vezes em prejuízo da família, chegando até a penhorar para o mesmo fim trabalho e dinheiros futuros. [...]
Não se conhecem os pescadores senão por alcunhas e, com o mesmo desrespeito com que se chasqueiam e insultam ridicularizando qualidades físicas e morais, assim falam. Falam e praguejam à mistura. O juramento em nome de Deus e dos santos patronos, a cuja invocação se descobrem respeitosamente, abona duma maneira irrefragável todas as afirmações.
Eduardo C. N. Pereira, Ilhas de Zargo, 1957.
Como filho de Câmara de Lobos, Eduardo Pereira elaborou, com conhecimento de causa, esta fantástica descrição da população piscatória, mais conhecida pelo xavelhas.
Eu como xavelha de berço, nascido e criado (e com todo o orgulho), tezinho da parte do pai e marada da parte da mãe (as alcunhas xavelhas são por demais), corroboro em quase tudo o que aqui foi escrito.
Uma psicologia especial distinta da do resto da população madeirense, é a dos pescadores de todos os centros piscatórios do arquipélago. Apenas desmamados criam-se, por assim dizer, dentro de água, familiarizando-se com as ondas. Aos sete amos atiram-se para dentro dos barcos, adestrando-lhes os braços na força dos remos e o corpo nas vergastadas das vagas. Como bons marinheiros singram em todas as direcções, apoitam em todas as alturas; perdem de vista a terra, a família, a vida. Não há ano que não paguem ao mar o dízimo duma , não se vista de luto meia colónia e não saiam a esmolar dezenas de órfãos sem pão. Mas mal acabam de enterrar os náufragos duma tempestade, logo se metem ao mar afrontando os elementos ainda em fúria que os matou.
Aglomerados em colónias, os pescadores formam como que uma classe à parte da restante população. Isolam-se na sua vida, costumes, dialecto e conceitos sociais. em todos os centros piscatórios há bairros próprios, por eles escolhidos livremente, onde a sua existência é hereditária em tudo, desde a posse das habitações à herança das alcunhas. [...] Estes Bairros notam-se em toda a parte por serem velhos, sujos e miseráveis; é sua feição característica e invensível contra o progresso e contra a lei. Fechando o círculo do seu isolamento, os homens agrupam-se às companhas em terra como no mar, e as mulheres trabalham e convivem dentro dessa afinidade.
Pobres, humildes, boçais e geralmente analfabetos, os pescadores limitam suas ambições aos estreitos horizontes do bairro e da família: o pão de cada dia, uma casa e um barco são as suas maiores aspirações. Têm entretanto consciência da sua inferioridade não se conformando com esse desnível social, pelo que são invejosos e maldizentes das outras classes, A alma, todavia, é grande e generosa, aberta e larga como o mar. A vida doméstica, que tem por hábitos de colmeia, dá-lhes solidariedade e independência, personalidade e carácter. Compartilham da vida em comum como do sentir e haveres; socorrem-se uns aos outras em todas as necessidades. São simples, pacíficos e bons, mas ofensa feita a um é fogo ateado em toda a colónia, e nada os intimida nem contém: armam-se de fisgas e navalhões, atiçados os homens pelas mulheres, e unidos todos em massa para a morte ou para a vida, para o que der e vier. Ciosos da sua boa fé, do honrado proceder da sua classe e da solidariedade geral, vingam todas as afrontas em comum. Rudes e impetuosos como o mar, não são subservientes nem tartufos para ninguém. Apesar de honestos, concebem a moral sem certos prejuízos e preconceitos e a promiscuidade da vida a que os obriga e habituou sua condição social, não afronta a morigeração geral dos costumes.
O contacto com a imensidade do oceano, com a grandeza das tormentas e com os mistérios do infinito, fez do pescador um contemplativo e um crente, duma fé arreigada e fortalecida pelo mar, porque este todos os dias lhes levanta o pensamento para Deus e invoca-O em horas de perigo e bendizendo-O de mãos postas, em horas de felicidade.[...]
Os santos patronos dos pescadores são seus companheiros de todas as horas e viagens, pendentes do pescoço em medalhas e escapulários, cosidos ao surrão dos casacos, lembrados nos nomes dos barcos e invocados em horas de tormenta. Não deixam, no entanto, de ser tão supersticiosos como devotos: de mistura com imagens de santos usam bentinhos ou defesas contra feitiços; à bênção de cada barco juntam um chifre de boi contra o mau olhado; quando voltam do mar sem peixe, procuram mulher de virtudes para desenfeitiçar os aparelhos.
O trabalho é para os pescadores uma necessidade como a assistência mútua um dever. O lucro pingue ou magro, reparte-se em quinhões não esquecendo o mealheiro dos inválidos e doentes, muito embora venham a adoecer de privações os que os socorrem. As economias, porém, que o pescador devia guardar em seu proveito, consome-as em álcool, muitas vezes em prejuízo da família, chegando até a penhorar para o mesmo fim trabalho e dinheiros futuros. [...]
Não se conhecem os pescadores senão por alcunhas e, com o mesmo desrespeito com que se chasqueiam e insultam ridicularizando qualidades físicas e morais, assim falam. Falam e praguejam à mistura. O juramento em nome de Deus e dos santos patronos, a cuja invocação se descobrem respeitosamente, abona duma maneira irrefragável todas as afirmações.
Eduardo C. N. Pereira, Ilhas de Zargo, 1957.
Como filho de Câmara de Lobos, Eduardo Pereira elaborou, com conhecimento de causa, esta fantástica descrição da população piscatória, mais conhecida pelo xavelhas.
Eu como xavelha de berço, nascido e criado (e com todo o orgulho), tezinho da parte do pai e marada da parte da mãe (as alcunhas xavelhas são por demais), corroboro em quase tudo o que aqui foi escrito.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
A sinceridade do povo
Oh minha mãe dos trabalhos
Para quem trabalho eu
Trabalho mato o meu corpo
Não tenho nada de meu
Quadra popular
Para quem trabalho eu
Trabalho mato o meu corpo
Não tenho nada de meu
Quadra popular
domingo, 25 de abril de 2010
Canções para uma revolução - Para não dizer que não falei das flores
Geraldo Vandré - P'ra não dizer que não falei das flores (1968)
sexta-feira, 23 de abril de 2010
História dos Povos em Documentário (11)
Podemos assistir a uma excelente série de 24 episódios sobre a Guerra Fria.
É só clicar aqui.
É só clicar aqui.
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Um texto de António Gaspar - fundamental para compreender a situação da juventude e a morte lenta de um país
Jovens sem futuro, António Gaspar
A qualidade do futuro de qualquer país, está na forma como no presente os seus jovens são tratados.
Muito se tem falado na crise e nos seus efeitos nefastos sobre o emprego, mas gostaria de sublinhar, e para o caso português em particular, que a vergonha que se vive no mercado de trabalho vem já de muito longe.
É perfeitamente legítimo que uma família, faça sacrifícios e aposte na formação e qualificação profissional dos seus descendentes, proporcionando-lhes ferramentas adequadas para uma vez no mercado de trabalho, poderem atingir um grau de desempenho sempre crescente, beneficiando com a sua produtividade a empresa para a qual trabalham e num segundo fôlego, a sua ascensão profissional. Mas afinal o que é que tem acontecido?
Temos jovens licenciados desempregados, que segundo as últimas estatísticas chegarão aos 40.000 e com tendência para o crescimento. Numa segunda linha, e porque tiveram "mais sorte" temos um regimento de jovens a receber entre os 600 e os 750 euros! E depois, teremos certamente uma parte infinitesimal, que terão uma profissão que lhe retribui decentemente a forma como aportam as suas competências.
Relativamente à geração dos "600" ou dos "700" ou do ‘outsourcing', é interessante observar que as empresas que contratam o preferem fazer aos ‘outsourcings' pagando, em média, quase o dobro, que estas pagam os jovens. Não me refiro de forma negativa ao negócio do ‘outsourcing', pois se existe é porque o mercado assim o determina e estas empresas aproveitam aquilo que o mercado quer. A minha visão crítica vai para as empresas que recorrem a estes ‘outsourcings': Pois se no sentido contrário, fizessem contratos directos com os jovens, com direito a férias efectivamente gozadas, subsídios de Natal e de férias, por natureza as empresas ditas de trabalho temporário nem sequer existiam, porque não registariam qualquer procura dirigida.
Ao tomar esta atitude, as empresas estão a dizer de forma clara aos jovens que não têm futuro em Portugal.
Qual é o jovem que com 600 ou 700 euros pode ter a "veleidade" de constituir família, de comprar uma casa ou de assumir outros compromissos normais para a sua idade? Mas a baixíssima remuneração não será tudo. Os jovens vivem permanentemente com a "espada de Demócles" sobre as suas cabeças, que é como quem diz, de uma quinzena para outra podem ver esses míseros 600 euros extinguirem-se. É este o Portugal que querem para os jovens?
Portugal não tem futuro para os jovens, como o não tinha já há 5 anos e como o não terá na próxima década, se a situação não se alterar de forma radical.
Eu sei que estas situações não se alteram por decreto. Alteram-se por um novo sentido de cidadania, ético e responsabilidade. E quanto mais tarde esta alteração tiver lugar, mais pobre vai ficando o nosso país. Um país em que a sua juventude não tenha oportunidades nem gosto em viver, é um país condenado. Condenado pelas elites empresariais que não souberam tratar com respeito os seus jovens, porque um salário de 600 euros com uma total precariedade à sua volta, é uma ofensa grave para os jovens filhos de uma nação.
A todos esses jovens, manifesto o meu mais profundo sentido de solidariedade e faço um apelo: se o vosso país os não merece, que partam para outro local onde as vossas competências e empenho, tenham um tratamento adequado e em linha com o que merecem.
____
António Gaspar, Professor Universitário e Consultor
A qualidade do futuro de qualquer país, está na forma como no presente os seus jovens são tratados.
Muito se tem falado na crise e nos seus efeitos nefastos sobre o emprego, mas gostaria de sublinhar, e para o caso português em particular, que a vergonha que se vive no mercado de trabalho vem já de muito longe.
É perfeitamente legítimo que uma família, faça sacrifícios e aposte na formação e qualificação profissional dos seus descendentes, proporcionando-lhes ferramentas adequadas para uma vez no mercado de trabalho, poderem atingir um grau de desempenho sempre crescente, beneficiando com a sua produtividade a empresa para a qual trabalham e num segundo fôlego, a sua ascensão profissional. Mas afinal o que é que tem acontecido?
Temos jovens licenciados desempregados, que segundo as últimas estatísticas chegarão aos 40.000 e com tendência para o crescimento. Numa segunda linha, e porque tiveram "mais sorte" temos um regimento de jovens a receber entre os 600 e os 750 euros! E depois, teremos certamente uma parte infinitesimal, que terão uma profissão que lhe retribui decentemente a forma como aportam as suas competências.
Relativamente à geração dos "600" ou dos "700" ou do ‘outsourcing', é interessante observar que as empresas que contratam o preferem fazer aos ‘outsourcings' pagando, em média, quase o dobro, que estas pagam os jovens. Não me refiro de forma negativa ao negócio do ‘outsourcing', pois se existe é porque o mercado assim o determina e estas empresas aproveitam aquilo que o mercado quer. A minha visão crítica vai para as empresas que recorrem a estes ‘outsourcings': Pois se no sentido contrário, fizessem contratos directos com os jovens, com direito a férias efectivamente gozadas, subsídios de Natal e de férias, por natureza as empresas ditas de trabalho temporário nem sequer existiam, porque não registariam qualquer procura dirigida.
Ao tomar esta atitude, as empresas estão a dizer de forma clara aos jovens que não têm futuro em Portugal.
Qual é o jovem que com 600 ou 700 euros pode ter a "veleidade" de constituir família, de comprar uma casa ou de assumir outros compromissos normais para a sua idade? Mas a baixíssima remuneração não será tudo. Os jovens vivem permanentemente com a "espada de Demócles" sobre as suas cabeças, que é como quem diz, de uma quinzena para outra podem ver esses míseros 600 euros extinguirem-se. É este o Portugal que querem para os jovens?
Portugal não tem futuro para os jovens, como o não tinha já há 5 anos e como o não terá na próxima década, se a situação não se alterar de forma radical.
Eu sei que estas situações não se alteram por decreto. Alteram-se por um novo sentido de cidadania, ético e responsabilidade. E quanto mais tarde esta alteração tiver lugar, mais pobre vai ficando o nosso país. Um país em que a sua juventude não tenha oportunidades nem gosto em viver, é um país condenado. Condenado pelas elites empresariais que não souberam tratar com respeito os seus jovens, porque um salário de 600 euros com uma total precariedade à sua volta, é uma ofensa grave para os jovens filhos de uma nação.
A todos esses jovens, manifesto o meu mais profundo sentido de solidariedade e faço um apelo: se o vosso país os não merece, que partam para outro local onde as vossas competências e empenho, tenham um tratamento adequado e em linha com o que merecem.
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António Gaspar, Professor Universitário e Consultor
FP 25 de Abril

Os bombistas das FP 25 começaram a dar nas vistas faz hoje precisamente 30 anos. Tal como os mânfios do ELP e do MDLP (estes mais ligados a ratos de sacristia, uma direita mofenta, pouco arejada, dos Cristos de Braga) o referido grupo vermelhusco, de pseudo laudas e primas marxistas revolucionárias, espalhou o terror pelo país, provocando 18 vítimas mortais.
Terá o Otelo fundado e apoiado o grupo? Terá sido o seu braço político? Já me disseram que sim e já me disseram que não. O próprio afirma que caiu numa armadilha para o afastarem definitivamente da política nacional. Foi preso, julgado, condenado e depois amnistiado. Quem o tramou? Será que foi tramado? Ou então tramou-se a si mesmo em coboiadas sob o lietmotiv dos amanhãs que cantam?
É verdade que o país tinha virado à direita e os excrementos papistas surgiam à boca de cena, conseguindo impor a sua visão... sim, meus amigos, o nosso país matou quase todos os ideais do 25 de Abril de 1974 já em plena década 80. Mas nada justifica que uma corja terrorista de palavreado mata burguês tenha qualquer pretexto para assassinar seja quem for.
Combate-se com palavras e não com bombas, assaltos e puro terror.
Há muito por explicar neste país... com o tempo a água trará muito passado até à margem do presente.
domingo, 18 de abril de 2010
sábado, 17 de abril de 2010
Meninas vamos à murta
Dazkarieh,Meninas Vamos à Murta, ao vivo no Mosteiro dos Jerónimos
Um dos melhores grupos portugueses da actualidade.
quarta-feira, 14 de abril de 2010
In memoriam Padre Max

Padre Max, assassinado num atentado à bomba pela a quadrilha MDLP (amiguinhos íntimos do marechal Spínola e do famigerado cónego Melo). A estes dois já deram nomes de rua. A um homem simples, cujo lema "Servir o povo e nunca se servir dele" que ainda hoje faz todo o sentido, preferem ignorar. Não peço nomes de rua para ninguém. Peço sim que tenham pelo menos vergonha na cara.
terça-feira, 13 de abril de 2010
Do nojo ao vómito... uma rua para um marechal António Spínola

António de Spínola
uma rua para um marechal amigo e apoiante de bombistas (lembram-se do MDLP/ELP?)
uma rua para um marechal admirador confesso do exército nazi (até o visitou às portas de Estalinegrado)
uma rua para um marechal do 28 de Setembro e do 25 de Março
uma rua para um marechal que nunca compreendeu o nacionalismo africano
uma rua para um marechal que durante anos foi apoiante e sustentáculo militar do Estado Novo
A classe política portuguesa gosta muito de arrotar homenagens e, com o seu dedo sujo, influenciar uma futura escrita da História. Os historiadores probos não irão nas vossas cantigas.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Canção de embalar (tradicional da Madeira)
Passarinho vem em bando
Ver um anjinho tão lindo
Que a mãe n'o está embalando
Contente em n'o ver dormindo
Vai-te embora passarinho
Deixa a baga do loureiro
Deixa o menino dormir
O seu soninho primeiro
Quem tem meninos pequenos
À força há-de cantar
Quantas vezes as mães cantam
Com vontade de chorar.
Ver um anjinho tão lindo
Que a mãe n'o está embalando
Contente em n'o ver dormindo
Vai-te embora passarinho
Deixa a baga do loureiro
Deixa o menino dormir
O seu soninho primeiro
Quem tem meninos pequenos
À força há-de cantar
Quantas vezes as mães cantam
Com vontade de chorar.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
terça-feira, 6 de abril de 2010
domingo, 4 de abril de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
Como todas as canções são de intervenção
Não existe neutralidade na canção. Tenho pensado muito nisso por causa dessa treta de nos chamarem cantores de intervenção. Chamarem-nos cantores de intervenção é uma forma de desresponsabilizar os outros que não o são. Parece que, normal é uma pessoa não intervir, não se meter nessas coisas. Quando qualquer ocupação do espaço social – em cima dum palco, num disco, num tempo de antena [...] – é relevante do ponto de vista da nossa relação com a comunidade. Portando, não há neutralidade nisso. Se eu ficar a cantar baboseiras, parvoíces, ou coisas completamente anódinas que contribuam para estupidificar as pessoas, etc, eu estou a intervir, sou activo na mesma, estou a dizer: “É pá, ficas quietinho, não faças nada. Tu és um escravo. Não levantes a garimpa, continua isso, nasces, morres, e continua o processo. Não faças nada.” Outros, seja a falar de amor, seja a falar das relações sociais, seja a falar de poesia – das grandes coisas da alma humana -, exprimem-se, entregam-se, questionam-se. Isso, quando passam para si e para os outros[tem um efeito].
José Mário Branco no Programa Bairro Alto da RTP 2. Pode ser visto aqui
José Mário Branco no Programa Bairro Alto da RTP 2. Pode ser visto aqui
domingo, 21 de março de 2010
Miserere mei
Miserere Mei Deus, Allegri - Kings College Chapel Choir
Com este post termino uma série de quatro pescadas musicais do melhor que se fez na música coral. Os três primeiros cantei-os pelos coros onde passei. Este último é absolutamente fenomenal. Allegri, um compositor ainda pouco conhecido, esmerou-se e fez uma verdadeira obra prima, plena de contemplação e de harmonia.
Alguns de vós devem estar a perguntar: mas que raio, porque é que este ateu ferrenho, acérrimo, esquerdalho, quase jacobinista, costista (de Afonso Costa, pois claro) postou aqui música religiosa e venera-a como se fosse um beato católico, rato de sacristia de laudas e primas dominicais?
Meus amigos, a música é o que importa... não sejam cataráticos dos ouvidos. Não importa de onde veio, que função teve e que conceitos terá ou trará... Desde o canto gregoriano até Wagner, dos hinos da Revolução Russa (absolutamente fabulosos, se forem cantados pelo coro do exército vermelho, pois claro) à música electro-acústica, das canções de trabalho e dos romances do nosso povo aos famosos cordofones do Mali. O que importa é a qualidade musical e a qualidade de quem a executa.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Um pouco de Bach
Aus Liebe Will Mein Heiland Sterben, Paixão Segundo São Mateus (J. S. Bach)Cantado de modo sublime por Emma Kirkby.
quinta-feira, 18 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
terça-feira, 16 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
Bolaño 2666

Roberto Bolaño não é um mau escritor. Estou a acabar o livro epitetado por muitos como a sua obra-prima. Na minha singela opinião, o romance não é mau e tem passagens de alto valor literário, principalmente na última parte. O que me deixa com urticária foi a vaga bolañosa das livrarias e da editora, que fizeram passar a mensagem que estávamos perante um colosso literário e seríamos burros se não lêssemos este livro. Do escritor em si, a comichão continua. Não gosto do exibicionismo transmitido na sua obra, do género, "olha-o-quão-inteligente-e-culto-eu-sou-que-consigo-relacionar-isto-com-aquilo-com-meia-dúzia-de-referências-a-escritores-conhecidos-pelo-meio", ou então "olha-a-volta-que-eu-dou-para-apresentar-este-facto-sou-mesmo-bom-não-sou?".
Um livro decente, mas já li melhor... até escrito por autores portugueses.
domingo, 14 de março de 2010
sábado, 13 de março de 2010
sexta-feira, 12 de março de 2010
Das ilhas, as mais belas e livres
Da Região Autónoma da Madeira (RAM) fazem parte as ilhas da Madeira e do Porto Santo, as 3 ilhas Desertas (Ilhéu Chão, Deserta Grande e o Bugio) e as 3 ilhas Selvagens (Selvagem Grande, Selvagem Pequena, Ilhéu de Fora). Já tive oportunidade de visitar as Desertas (uma visita verdadeiramente inesquecível) mas nunca fui às Selvagens, que se encontram mais perto das Canárias do que das Desertas ou da ilha da Madeira. Este facto fez com que os espanhóis, durante anos, tentassem deitar a mão a estas ilhas para assim aumentarem o seu "espaço vital" no Atlântico. Enganaram-se redondamente. Não sabem com quem se estão a meter. Neste caso não se metem com os portugueses do continente (desses já brincaram várias vezes), mas sim com os portugueses ilhéus e com estes não é fácil brincar.
Espero que um dia eu possa conhecer este último reduto (um subarquipélago) do meu arquipélago.
Já agora visitem o fantástico blog Ilhas Selvagens.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Na Ponta do Cabo
Na Ponta do Cabo (Fausto)
Para um cão sentado que passa por tormentas. Que acalme e continue a perscrutar o enigma da água, sentado no Atlântico.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
sábado, 20 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Porque me olhas assim
Porque me olhas assim (letra e música de Fausto Bordalo Dias), intérprete, Cristina Branco
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Memórias de uma criança
Olha o céu lá no fundo do chapéu
Olha o sol e a lua a namorar
Olha o céu lá no fundo do chapéu
Onde tu e eu vamos chegar
Carlos Alberto Moniz, Programa infantil Zarabadim, 1885 (RTP)
Durante anos e anos vinha-me à memória esta pequena música e não fazia a mínima ideia de onde tinha aprendido. Hoje, depois de uma rápida consulta na net, já sei. O que aprendemos em tenra idade dificilmente esquecemos.
Guardo nas minhas memórias as músicas dos programas infantis da televisão feitos em Portugal: A Árvore dos Patafúrdios; Os amigos do Gaspar; Os Afonsinhos do Condado e o divertido Zarabadim.
Dificilmente esquecerei.
Bons tempos.
Olha o sol e a lua a namorar
Olha o céu lá no fundo do chapéu
Onde tu e eu vamos chegar
Carlos Alberto Moniz, Programa infantil Zarabadim, 1885 (RTP)
Durante anos e anos vinha-me à memória esta pequena música e não fazia a mínima ideia de onde tinha aprendido. Hoje, depois de uma rápida consulta na net, já sei. O que aprendemos em tenra idade dificilmente esquecemos.
Guardo nas minhas memórias as músicas dos programas infantis da televisão feitos em Portugal: A Árvore dos Patafúrdios; Os amigos do Gaspar; Os Afonsinhos do Condado e o divertido Zarabadim.
Dificilmente esquecerei.
Bons tempos.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Memórias do Tempo de Estudante
Balada do Desajeitado, Quadrilha
Na minha vida académica, acho que cantei esta música umas centenas de vezes, fazendo figura de pavão às beldades femininas, acompanhado na voz e na guitarra pelo meu grande amigo Nuno.
Andávamos por aí a cantar micro serenatas, onde esta canção nunca faltou, pela sua simplicidade, beleza e mensagem, deixando as meninas a suspirar por amores não correspondidos, e, quem sabe, pelas qualidades dos próprios executantes que ditavam ao sabor do vento versos tão desajeitadamente apaixonados (disso duvido seriamente...).
É bom recordar o passado quando nos vem à memória dias sem preocupações e medos, com sorrisos francos e brincadeiras por vezes absurdas.
É tão bom uma vida assim. Porque é que ela não dura para sempre?
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Como na altura diziam o que lhes dava mais jeito
Freitas do Amaral, Apresentação do CDS,(1974)
Ainda vou pedir a este senhor os rascunhos da sua Constituição, tarefa encomendada por uns senhores que fugiram para Espanha em 1975 e que queriam tomar o poder do país, expulsando a comunagem. Deixa-me lá pensar... Chamar-se-iam ELP e MLDP? Quantas bombas puseram no norte do país em sedes de partidos? Quantas pessoas mataram? Alguém se lembra do assassinato do padre Max?
Estes políticos dão-me vómitos!
P.S. - Qualquer semelhança com a realidade talvez não seja pura coincidência.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Dislates Ibéricos
Como defendo o estatuto de autodeterminação dos povos, e tendo em conta tudo o que li sobre o País Basco, não tenho qualquer pudor em afirmar que simpatizo com a causa da independência deste território.
Hoje, numa peça do jornal da noite da SIC, confundiu-se a ETA (um grupo terrorista abominável) com outros movimentos independentistas Bascos. Lamentável. Não meus amigos... Não é a mesma coisa. Falou-se também que o ensejo da independência basca nasceu algures na década de 50 do século XX. Mais uma vez lamentável. Por favor revejam as vossas fontes.
Hoje, numa peça do jornal da noite da SIC, confundiu-se a ETA (um grupo terrorista abominável) com outros movimentos independentistas Bascos. Lamentável. Não meus amigos... Não é a mesma coisa. Falou-se também que o ensejo da independência basca nasceu algures na década de 50 do século XX. Mais uma vez lamentável. Por favor revejam as vossas fontes.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Como vai este país...
Temos um Berlusconi lusitano com o nome grego. A lata e a corruptela é a mesma...
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Chula Gaiteira
Mira que chula esta Chula
Chula que passou da raia
non a cruzou nunha mula
chegou por boca da xente
do lugar de Miragaia
Baila este son coa forza de Sansón
De Sansón vello leon
Dalle dalle ben
dalle dalle ben
Mira que chula esta Chula
que passou da raia seca
e veu de vella gaiteira
pela beira da ribeira
do país do amigo Zeca
Mira que chula esta Chula
Chula da beira do Minho
ven ós pulos nesta roda
calca os pés e move os brazos
non te movas paseniño
Mira que chula esta Chula
Chula de pasar das raias
de restar e de fronteiras
canta coas xentes trouleiras
canta vaias onde vaias
Chula Gaiteira, Gaiteiros de Lisboa
Chula que passou da raia
non a cruzou nunha mula
chegou por boca da xente
do lugar de Miragaia
Baila este son coa forza de Sansón
De Sansón vello leon
Dalle dalle ben
dalle dalle ben
Mira que chula esta Chula
que passou da raia seca
e veu de vella gaiteira
pela beira da ribeira
do país do amigo Zeca
Mira que chula esta Chula
Chula da beira do Minho
ven ós pulos nesta roda
calca os pés e move os brazos
non te movas paseniño
Mira que chula esta Chula
Chula de pasar das raias
de restar e de fronteiras
canta coas xentes trouleiras
canta vaias onde vaias
Chula Gaiteira, Gaiteiros de Lisboa
Absolutamente sublime
Buxtehude: Membra Jesu Nostri, Ad pedes / René Jacobs
Ainda por cima com a voz inigualável do contratenor Andreas Scholl.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
A melhor definição de saudade que já vi escrita e cantada
[...]
E a saudade
É uma espera
É uma aflição
Se é Primavera
É um fim de Outono
Um tempo morno
É quase Verão
Em pleno Inverno
É um abandono
[...]
Porque não me vês, Fausto
E a saudade
É uma espera
É uma aflição
Se é Primavera
É um fim de Outono
Um tempo morno
É quase Verão
Em pleno Inverno
É um abandono
[...]
Porque não me vês, Fausto
Dona Rosa em Marrocos
A simplicidade de uma mulher invisual que durante anos cantou nas ruas de Lisboa para os transeuntes e ao mesmo tempo pedia esmola para sobreviver, até que um produtor musical austríaco parou diante desta senhora e ouviu a alma que emanava a sua voz. Hoje é conhecida por toda a Europa (como as cantoras, Dulce Pontes, Teresa Salgueiro, Mísia e Mariza), e, ironicamente, quase passa despercebida no seu próprio país.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Uma canção sobre guerras
Estes vêm feros
E amotinados
Aqueles andam bravos
Muito acossados
Esses são mais grossos
Em algazarras
Os outros mais tamanhos
E estendem as garras
Os bandarras
(Os bandidos)
Os baptizados
(Os babuínos)
Os levantados
(Os saladinos)
Todos provocam malditos aos gritos
E há um rapino de pulo
Escaramuçam larápios
(Combatem o combate)
(Sobre a terra, sobre os céus)
Todos acodem a uma
Mozumbos, cafres e arábios
(Pega, não pega)
(Pelas almas, pelos céus)
Os sem lei nem costumes
Mostram as partes traseiras
(Combatem o combate)
(Sobre a terra, sobre os céus)
E tanta gente responde
Mostram-te as partes grosseiras
(Pega, não pega)
(Pelas almas, pelos céus)
Andam em roubos
E desnudam os que vão derradeiros
(Combatem o combate)
(Sobre a terra, sobre os céus)
Dão de focinhos no chão
Dados por golpes rasteiros
(Pega, não pega)
(Pelas almas, pelos céus)
Vivendo muitas vidas na vida
Hão-de viver como
Soldados de Baco na terra
Nunca a paz é a paz
Toda enfeitada de guerra
(Enfeitada)
Como um qualquer Deus
Toda enfeitada de breu
Estes saltam brutos
Como bugias
Aqueles fazem
Cruas carniçarias
Esses muito indígenas
E carniceiros
Os outros sanguinários
Muito estrangeiros
Os quadrilheiros
(Os destemidos)
Os apossados
(Os perseguidos)
Os vergastados
(Os carcomidos)
Todos em sangue lavados aos brados
E alguns dão santiago
Dão nos bons e nos maus
(Matas)
(Mato, valha-nos nosso senhor)
E todos enchem o ar
O céu de pedras e paus
(Mata e esfola)
(Misericórdia senhor)
Uns varados dos peitos
Do espinhaço à outra parte
(Matas)
(Mato, valha-nos nosso senhor)
Tantas cabeças ao talho
À força dos bacamartes
(Mata e esfola)
(Misericórdia senhor)
Vão fustigados, os braços
As pernas e outros lugares
(Matas)
(Mato, valha-nos nosso senhor)
Estão nos contrários uivando
Golpes mortais aos milhares
(Mata e esfola)
(Misericórdia senhor)
Morrem de muitas mortes e à morte
Hão-de morrer como
Soldados de Baco na terra
Nunca a paz é a paz
Toda enfeitada de guerra
(Enfeitada)
Como um qualquer Deus
Toda enfeitada...
E alguns afrouxam calados
Cortados pelas gargantas
(Matas)
(Mato, valha-nos nosso senhor)
Todos vomitam de si
Chuvas de setas e lanças
(Mata e esfola)
(Misericórdia senhor)
Uns vão de craneos abertos
Com as medulas de fora
(Matas)
(Mato, valha-nos nosso senhor)
Tantas ossadas e carnes
Que a lama engole e devora
(Mata e esfola)
(Misericórdia senhor)
Morrem mortos de muitas mortes
E à morte
Hão-de morrer como
Soldados de Baco na terra
Nunca a paz é a paz
Toda enfeitada de guerra
(Enfeitada)
Como um qualquer Deus
Toda enfeitada de breu
Toda enfeitada de breu
Fausto, album Crónicas da Terra Ardente
Oiço e lembro-me de uma guerra colonial onde alguns Soldados de Baco voltaram para si mesmos e vagueiam pelas cidades deste país com o pensamento naquilo que fizeram além mar...
E amotinados
Aqueles andam bravos
Muito acossados
Esses são mais grossos
Em algazarras
Os outros mais tamanhos
E estendem as garras
Os bandarras
(Os bandidos)
Os baptizados
(Os babuínos)
Os levantados
(Os saladinos)
Todos provocam malditos aos gritos
E há um rapino de pulo
Escaramuçam larápios
(Combatem o combate)
(Sobre a terra, sobre os céus)
Todos acodem a uma
Mozumbos, cafres e arábios
(Pega, não pega)
(Pelas almas, pelos céus)
Os sem lei nem costumes
Mostram as partes traseiras
(Combatem o combate)
(Sobre a terra, sobre os céus)
E tanta gente responde
Mostram-te as partes grosseiras
(Pega, não pega)
(Pelas almas, pelos céus)
Andam em roubos
E desnudam os que vão derradeiros
(Combatem o combate)
(Sobre a terra, sobre os céus)
Dão de focinhos no chão
Dados por golpes rasteiros
(Pega, não pega)
(Pelas almas, pelos céus)
Vivendo muitas vidas na vida
Hão-de viver como
Soldados de Baco na terra
Nunca a paz é a paz
Toda enfeitada de guerra
(Enfeitada)
Como um qualquer Deus
Toda enfeitada de breu
Estes saltam brutos
Como bugias
Aqueles fazem
Cruas carniçarias
Esses muito indígenas
E carniceiros
Os outros sanguinários
Muito estrangeiros
Os quadrilheiros
(Os destemidos)
Os apossados
(Os perseguidos)
Os vergastados
(Os carcomidos)
Todos em sangue lavados aos brados
E alguns dão santiago
Dão nos bons e nos maus
(Matas)
(Mato, valha-nos nosso senhor)
E todos enchem o ar
O céu de pedras e paus
(Mata e esfola)
(Misericórdia senhor)
Uns varados dos peitos
Do espinhaço à outra parte
(Matas)
(Mato, valha-nos nosso senhor)
Tantas cabeças ao talho
À força dos bacamartes
(Mata e esfola)
(Misericórdia senhor)
Vão fustigados, os braços
As pernas e outros lugares
(Matas)
(Mato, valha-nos nosso senhor)
Estão nos contrários uivando
Golpes mortais aos milhares
(Mata e esfola)
(Misericórdia senhor)
Morrem de muitas mortes e à morte
Hão-de morrer como
Soldados de Baco na terra
Nunca a paz é a paz
Toda enfeitada de guerra
(Enfeitada)
Como um qualquer Deus
Toda enfeitada...
E alguns afrouxam calados
Cortados pelas gargantas
(Matas)
(Mato, valha-nos nosso senhor)
Todos vomitam de si
Chuvas de setas e lanças
(Mata e esfola)
(Misericórdia senhor)
Uns vão de craneos abertos
Com as medulas de fora
(Matas)
(Mato, valha-nos nosso senhor)
Tantas ossadas e carnes
Que a lama engole e devora
(Mata e esfola)
(Misericórdia senhor)
Morrem mortos de muitas mortes
E à morte
Hão-de morrer como
Soldados de Baco na terra
Nunca a paz é a paz
Toda enfeitada de guerra
(Enfeitada)
Como um qualquer Deus
Toda enfeitada de breu
Toda enfeitada de breu
Fausto, album Crónicas da Terra Ardente
Oiço e lembro-me de uma guerra colonial onde alguns Soldados de Baco voltaram para si mesmos e vagueiam pelas cidades deste país com o pensamento naquilo que fizeram além mar...
Sobre uma brigada
Cá estou eu de novo a falar sobre Coimbra. Não, não é para criticar a sua universidade.Paz à sua alma que jaz perdida por entre as vielas e medinas próximas do rio Mondego. Este post é dedicado ao que de melhor se faz nesta cidade em termos musicais. Não, não vou falar sobre o fado de Coimbra, que, actualmente, é o mesmo desde que existiu, tirando as inovações introduzidas por Menano, Betencout, José Afonso e Luis Goes. Os actuais cantores e compositores não conseguem sair do quadrado musical formado por estes e repetem até à exaustão fórmulas já antes vistas e cantadas, sem um cheiro de inovação ou de arrojo interpretativo. Muitos dizem que é impossível romper com as matrizes fixadas na pedra da canção de Coimbra. Muitos disseram o mesmo em relação ao fado de Lisboa e vê-se como nos últimos temos este evoluiu consideravelmente, com novos intérpretes e novas melodias bem afadistadas.
Venho aqui falar de um grupo nascido em Coimbra que tudo fez para preservar a essência da música tradicional portuguesa - a Brigada Victor Jara. Nascidos com o intuito de louvar o tão conhecido cantor chileno assassinado pelas falanges de Pinochet, depressa tomaram conta do panorama musical português ao incutir simplicidade e veracidade à música popular portuguesa. Esta sim a verdadeira música nacional que se canta um pouco por todo o território continental e ilhas e não o fado (seja ele de que lugar for) que durante anos tentaram colar tal rótulo, esquecendo as chulas, os charambas e canas verdes, os corridinhos e o tão genuíno canto chão. Não sei o que se passou na década de 80 do século passado, pois nessa época toda a música tradicional era mal vista, deixada de lado e envergonhava o país e a quem a ouvia. Meus senhores, uma coisa é certa. Retirem da vossa órbita os rachos folclóricos feitos a régua e esquadro por pseudo-ideólogos do Estado Novo, e vejam como flui a verdadeira música tradicional, muita dela recolhida por Lopes Graça e Michel Giacometti nos anos de 50 e 60. Oiçam a Brigada Victor Jara, que recriam o melhor da nossa música que se encontra nos poros de qualquer português, parte integrante do nosso sentido de pertença.
Marião, Brigada Victor Jara
Durma, Brigada Victor Jara
Charamba, Brigada Victor Jara
Venho aqui falar de um grupo nascido em Coimbra que tudo fez para preservar a essência da música tradicional portuguesa - a Brigada Victor Jara. Nascidos com o intuito de louvar o tão conhecido cantor chileno assassinado pelas falanges de Pinochet, depressa tomaram conta do panorama musical português ao incutir simplicidade e veracidade à música popular portuguesa. Esta sim a verdadeira música nacional que se canta um pouco por todo o território continental e ilhas e não o fado (seja ele de que lugar for) que durante anos tentaram colar tal rótulo, esquecendo as chulas, os charambas e canas verdes, os corridinhos e o tão genuíno canto chão. Não sei o que se passou na década de 80 do século passado, pois nessa época toda a música tradicional era mal vista, deixada de lado e envergonhava o país e a quem a ouvia. Meus senhores, uma coisa é certa. Retirem da vossa órbita os rachos folclóricos feitos a régua e esquadro por pseudo-ideólogos do Estado Novo, e vejam como flui a verdadeira música tradicional, muita dela recolhida por Lopes Graça e Michel Giacometti nos anos de 50 e 60. Oiçam a Brigada Victor Jara, que recriam o melhor da nossa música que se encontra nos poros de qualquer português, parte integrante do nosso sentido de pertença.
Marião, Brigada Victor Jara
Durma, Brigada Victor Jara
Charamba, Brigada Victor Jara
Vou me embora vou partir mas tenho esperança
Vou-me embora, vou partir mas tenho esperança
de correr o mundo inteiro, quero ir
quero ver e conhecer rosa branca
e a vida do marinheiro sem dormir
E a vida do marinheiro branca flor
que anda lutando no mar com talento
adeus adeus minha mãe, meu amor
eu hei-de ir hei-de voltar com o tempo
Tradicional do Alentejo
de correr o mundo inteiro, quero ir
quero ver e conhecer rosa branca
e a vida do marinheiro sem dormir
E a vida do marinheiro branca flor
que anda lutando no mar com talento
adeus adeus minha mãe, meu amor
eu hei-de ir hei-de voltar com o tempo
Tradicional do Alentejo
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
José Afonso
José Afonso, Canção de Embalar.
É-me muito difícil escrever sobre este cantautor. Talvez porque a partir dele iniciei a minha procura por diferentes universos musicais, em que a transparência, a veracidade e o sentimento estivessem sempre presentes. Não sei quando o conheci, penso que as suas melodias estiveram presentes na minha família nuclear, principalmente pela voz e sensibilidade musical da minha mãe, e, deste berço primacial, parti em busca de um mundo sonoro de diferentes tonalidades pelos quatro cantos do mundo.
Foguete
Foguete Cantada pela diva Maria Betânia e seu irmão Caetano Veloso, junto com a sua mãe dona Canô
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
Sobre Câmara de Lobos

Imagem: Domingo de Um Pescador em Câmara de Lobos de Jean Dieuzaide(1956)
Aqui, valter hugo mae (escritor de excepcional qualidade, leiam o seu apocalipse dos trabalhadores) fala sobre Câmara de Lobos, a minha terra natal - onde cimentei a minha identidade vincada por uma baía de pescadores e pelas serranias de casas dispersas -, elogiando a sua nouvelle vague arquitectónica que responde aos preceitos estéticos de enquadramento paisagístico. À excepção de um parque de estacionamento na Praça da República (nome que predomina, embora a edilidade camarária quisesse modificar a toponímia por Praça da Autonomia), que tapou a vista que tínhamos do Cabo Girão, no percurso que vai da porta da igreja até à Praça, os novos edifícios são de salutar pela beleza das linhas sóbrias e pela sua funcionalidade. O Ilhéu - local onde andei no jardim de infância, na escola primária e onde morou os meus avós maternos - desenha-se agora como um verdadeiro jardim suspenso no mar, com a encosta recortada por casas recuperadas.
Não é de agora que Câmara de Lobos impressiona pela sua beleza física. Mas, devo confessar que a sua face real, a sua beleza intrínseca, essa ainda está por explorar e mostrar ao mundo as verdadeiras cores da sua identidade. Falo no seu povo - claro - que durante muitos anos, digo mesmo séculos, foi escondido, posto de parte, visto por muitos insulares e continentais como a mancha negra da ditosa e epitetada Pérola do Atlântico.
Povo diferente dos demais conterrâneos, com outros sentidos de pertença, cuja vida se debruça no impulso e na felicidade momentânea, com religiosidade bem vincada, embora na prática (no dia-a-dia) seja um pagão festivo.
Estas são características que nunca vi serem enaltecidas, demonstradas, espelhadas em estudos de diferentes índoles ou então na literatura.
E o povo não espera, esvai-se aos poucos o seu sentido matricial, voltando-se assim para novos sentidos, mais funchalenses, estes sempre aceites por la movida do concelho-mor e da pseudo-intelectualidade madeirense, que viu e vê em Câmara de Lobos um ser menor, pobre, bêbedo, drogado e desbocado.
Quem me dera ter metade do talento de um Gabriel Garcia Marques, pois material para o meu Cem Anos de Solidão câmaralobense não faltaria com certeza. Mas o tempo passa e a inspiração nunca veio, nem nunca chegará....
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