É uma ilha em forma de cão sentado com a cabeça inclinada para perscrutar o enigma da água. O cão tem as orelhas fitas porque recebe notícias de vento ao mesmo tempo que cheira e olha o mar. O cão está sentado no Atlântico. Herberto Helder, Photomaton & Vox
domingo, 27 de dezembro de 2009
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
A Nova-Brigada-dos-Coronéis-de-Lápis-Azul
I
nós somos
a Nova-Brigada-dos-Coronéis-de-Lápis-Azul
perfilada em novos quartéis
fazemos o cadastro
toda a folha do artista
se de mau cantor não passa
o péssimo vocalista
II
nós somos
a Nova-Brigada-dos-Coronéis-de-Lápis-Azul
perfilada em novos quartéis
aguçada na ponta
que mais risca esses papéis
escritos pelos "contras"
contra a lei dos bacharéis
e se a censura aviva
a morte do criador
banido da pantalha
cedo morre esse cantor
e calado na rádio
apagado nos jornais
vai-se à vida a voz canora
há-de morrer um pouco mais
III
e um pouco mais há-de morrer
há-de morrer ainda
se lhe arrojarmos à cabeça
um prémio desta maneira
vai ele direito à carreta
e de ventas às torneiras
e não serão decretados
três dias de luto a mais
mas um só dia de fados
de alegrias nacionais
Fausto
Eles andam por aí.
nós somos
a Nova-Brigada-dos-Coronéis-de-Lápis-Azul
perfilada em novos quartéis
fazemos o cadastro
toda a folha do artista
se de mau cantor não passa
o péssimo vocalista
II
nós somos
a Nova-Brigada-dos-Coronéis-de-Lápis-Azul
perfilada em novos quartéis
aguçada na ponta
que mais risca esses papéis
escritos pelos "contras"
contra a lei dos bacharéis
e se a censura aviva
a morte do criador
banido da pantalha
cedo morre esse cantor
e calado na rádio
apagado nos jornais
vai-se à vida a voz canora
há-de morrer um pouco mais
III
e um pouco mais há-de morrer
há-de morrer ainda
se lhe arrojarmos à cabeça
um prémio desta maneira
vai ele direito à carreta
e de ventas às torneiras
e não serão decretados
três dias de luto a mais
mas um só dia de fados
de alegrias nacionais
Fausto
Eles andam por aí.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
um momento de publicidade
Apesar das ruínas e da morte
Apesar das ruínas e da morte,
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.
Sophia de Mello Breyner Andresen(1944)
Onde sempre acabou cada ilusão,
A força dos meus sonhos é tão forte,
Que de tudo renasce a exaltação
E nunca as minhas mãos ficam vazias.
Sophia de Mello Breyner Andresen(1944)
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Como um sonho acordado
Fernão Mendes Pinto, Peregrinação: "Embarcado num jurupango, com o Mouro Coja Ale, feitor do capitão de Malaca, fomos surgir no rio de Parles no Reino de Quedá. Nesse tempo, estava o rei celebrando com grande aparato e pompa fúnebre as exéquias da morte de seu pai, que ele matara às punhaladas para casar com a sua mãe que já estava prenhe dele. Para evitar murmurações mandou lançar pregão que sob gravíssimas mortes ninguém falasse no que já era feito. Mas Coja Ale era de sua natureza solto de língua e muito atrevido em falar o que lhe vinha à sua vontade. E foi assim que preso por soldados fui chamado ao rei e olhando para onde ele me acenava, vi jazer de bruços no chão muitos corpos mortos todos metidos num charco de sangue. Entre eles o mouro Coja Ale. Por mais de uma grande hora estive como pasmado, debaixo de abano, sem poder falar, arremessado aos pés do elefante em que el-rei estava. Depois de perdoado pelas lamentações e desculpas toscas, mas que vinham ao momento muito a propósito, me fiz à vela muito depressa pelo grande medo e risco de morte em que me vira".
Fausto, Como um sonho acordado (album por este rio acima):
Como se a Terra corresse
Inteirinha atrás de mim
O medo ronda-me os sentidos
Por abaixo da minha pele
Ao esgueirar-se viscoso
Escorre pegajoso
E sai
Pelos meus poros
Pelos meus ais
Ele penetra-me nos ossos
Ao derramar-se sedento
Nas entranhas sinuosas
Entre as vísceras mordendo
Salta e espalha-se no ar
Vai e volta
Delirante
Tão delirante
É como um sonho acordado
Esse vulto besuntado
A revolver-se no lodo
A deslizar de uma larva
Emergindo lá no fundo
Tenho medo ó medo
Leva tudo é tudo teu
Mas deixa-me ir
Arrasta-me à côncava do fundo
Do grande lago da noite
Cruzando as grades de fogo
Entre o Céu e o Inferno
Até à boca escancarada
Esfaimada
Atrás de mim
Atrás de mim
É como um sonho acordado
Esses olhos no escuro
Das carpideiras viúvas
Pelo pai assassinado
Desventrado por seu filho
Que possuiu lascivo
A sua própria mãe
E sua amante
Meu amor quando eu morrer
Ó linda
Veste a mais garrida saia
Se eu vou morrer no mar alto
Ó linda
E eu quero ver-te na praia
Mas afasta-me essas vozes
Linda
Tens medo dos vivos
E dos mortos decepados
Pelos pés e pelas mãos
E p'lo pescoço e pelos peitos
Até ao fio do lombo
Como te tremem as carnes
Fernão Mendes
Fausto, Como um sonho acordado (album por este rio acima):
Como se a Terra corresse
Inteirinha atrás de mim
O medo ronda-me os sentidos
Por abaixo da minha pele
Ao esgueirar-se viscoso
Escorre pegajoso
E sai
Pelos meus poros
Pelos meus ais
Ele penetra-me nos ossos
Ao derramar-se sedento
Nas entranhas sinuosas
Entre as vísceras mordendo
Salta e espalha-se no ar
Vai e volta
Delirante
Tão delirante
É como um sonho acordado
Esse vulto besuntado
A revolver-se no lodo
A deslizar de uma larva
Emergindo lá no fundo
Tenho medo ó medo
Leva tudo é tudo teu
Mas deixa-me ir
Arrasta-me à côncava do fundo
Do grande lago da noite
Cruzando as grades de fogo
Entre o Céu e o Inferno
Até à boca escancarada
Esfaimada
Atrás de mim
Atrás de mim
É como um sonho acordado
Esses olhos no escuro
Das carpideiras viúvas
Pelo pai assassinado
Desventrado por seu filho
Que possuiu lascivo
A sua própria mãe
E sua amante
Meu amor quando eu morrer
Ó linda
Veste a mais garrida saia
Se eu vou morrer no mar alto
Ó linda
E eu quero ver-te na praia
Mas afasta-me essas vozes
Linda
Tens medo dos vivos
E dos mortos decepados
Pelos pés e pelas mãos
E p'lo pescoço e pelos peitos
Até ao fio do lombo
Como te tremem as carnes
Fernão Mendes
grande grande é a viagem (concerto 1990)
Deixo também aqui um concerto do Mago Fausto. A música portuguesa em plena sedução.
Canto dos torna viagens
Foi no sulco da viagem
Já sem armas nem bagagem
Nem os brazões da equipagem
Foi ao voltar
Pátria moratória
No coração da história
Que consumiste a glória
Num jantar
Foi como se Portugal
P'ra bem e p'ra seu mal
Andasse em busca dum final
P'ra começar
Ávida violência
Reverso da inocência
Sal da inconsciência
Que há no mar
Império tão pequenino
De portulano caprino
Bolsos de sina e de sino
Em cada mão
Pátria imaginária
De concistência vária
Afirmação diária
Do teu não
As malas do portugueses
São como os olhos das rezes
Que se mastigam três vezes
Em cada chão
Cândida ignorância
Grande desimportância
Os frutos da errância
Já lá estão
Ai Senhora dos Navegantes me valei
De África, do sal e do mar só eu sobrei
Foi p'ra me encontrar que amanhã já me perdi
Longe vai o tempo que eu já não estou
aqui
Ai Senhora dos Talvez-Muitos-Mais- Sinais
Socorrei estes desperdícios coloniais
Foi na noite fria que o dia me cegou
Inda agora fui, inda agora cá não estou
Ai Senhora dos Esquecidos me lembrai
O caminho que p'ra lá vem e p'ra cá vai
Etecetera e tal, portugal é nós no mar
Inda agora vim e estou longe de chegar
Ai Senhora dos Meus Iguais que eu subtraí
Foi pataca mim e não foi pataca a ti
Se é tão grande a alma na palma do meu ser
Algum dia eu vou finalmente acontecer
Porque não tentar outro ponto de vista
A história dos outros quem a contará
Se qualquer colónia sem colonialista
São os que já estavam lá
Tentemos então ver a coisa ao contrário
Do ponto de vista de quem não chegou
Pois se eu fosse um preto chamado Zé Mário
Eu não era quem eu sou
Os navegadores chegaram cá a casa
E foi tudo novo p'ra eles e p'ra mim
A cruz e a espada e os olhos em brasa
Porque me trataste assim?
Não é culpa nossa se quem p'ra cá veio
Não se incomodou ao saber do horror
A história não olha a quem fica no meio
E o que foi é de quem fôr
José Mário Branco.
Um verdadeiro tratado sobre portuguezinhos descobrimentos e a sua consequente descolonização.
Já sem armas nem bagagem
Nem os brazões da equipagem
Foi ao voltar
Pátria moratória
No coração da história
Que consumiste a glória
Num jantar
Foi como se Portugal
P'ra bem e p'ra seu mal
Andasse em busca dum final
P'ra começar
Ávida violência
Reverso da inocência
Sal da inconsciência
Que há no mar
Império tão pequenino
De portulano caprino
Bolsos de sina e de sino
Em cada mão
Pátria imaginária
De concistência vária
Afirmação diária
Do teu não
As malas do portugueses
São como os olhos das rezes
Que se mastigam três vezes
Em cada chão
Cândida ignorância
Grande desimportância
Os frutos da errância
Já lá estão
Ai Senhora dos Navegantes me valei
De África, do sal e do mar só eu sobrei
Foi p'ra me encontrar que amanhã já me perdi
Longe vai o tempo que eu já não estou
aqui
Ai Senhora dos Talvez-Muitos-Mais- Sinais
Socorrei estes desperdícios coloniais
Foi na noite fria que o dia me cegou
Inda agora fui, inda agora cá não estou
Ai Senhora dos Esquecidos me lembrai
O caminho que p'ra lá vem e p'ra cá vai
Etecetera e tal, portugal é nós no mar
Inda agora vim e estou longe de chegar
Ai Senhora dos Meus Iguais que eu subtraí
Foi pataca mim e não foi pataca a ti
Se é tão grande a alma na palma do meu ser
Algum dia eu vou finalmente acontecer
Porque não tentar outro ponto de vista
A história dos outros quem a contará
Se qualquer colónia sem colonialista
São os que já estavam lá
Tentemos então ver a coisa ao contrário
Do ponto de vista de quem não chegou
Pois se eu fosse um preto chamado Zé Mário
Eu não era quem eu sou
Os navegadores chegaram cá a casa
E foi tudo novo p'ra eles e p'ra mim
A cruz e a espada e os olhos em brasa
Porque me trataste assim?
Não é culpa nossa se quem p'ra cá veio
Não se incomodou ao saber do horror
A história não olha a quem fica no meio
E o que foi é de quem fôr
José Mário Branco.
Um verdadeiro tratado sobre portuguezinhos descobrimentos e a sua consequente descolonização.
Resistir é vencer (o concerto)
Encontrei o concerto de José Mário Branco do Álbum resistir é vencer. Não resisto a postar aqui um mega momento de alguém de quem admiro como pessoa, como cantor e como orquestrador.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Três cantos

A poucos dias de ouvir e ver este concerto em DVD, deixo aqui mais duas achegas para este espectáculo. Este uma gravação pirata da canção Canto dos torna viagens , um verdadeiro hino ao sentimento(zinho) portuga em relação à colonização e descolonização. Este, uma entrevista da antena 1 aos três magos.
Por estes senhores faço toda a publicidade e mais alguma. Merecem.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
25 de Novembro, a incógnita

Este ano continuei as minhas divagações literárias para tentar compreender o presente episódio.
Ou eu sou muito burro, ou então tenho razão. Muita coisa continua por explicar. Desde MDLPs, Marias da Fonte, Cónegos Melos e seus assassinatos nortenhos, bombas de plástico,constituintes viradas a norte, comunas de LX, fantoches de Kissinger, Carluchis de papel, autênticas marionetas humanizadas cujo raciocínio falacioso paira ainda do ar: Soares (nunca mais eu chego ao Porto), Otelos (los Ches europeus), Melo Antunes (eu, na televisão me confesso), Cunhais e outros que tais (vermelhos pois claro, aqueles que, supostamente, ficariam a chefiar politeburramente, a comuna de LX), Spinolas e os futuros aprendizes de bombistas feiticeiros, Eanes e a acção (ou reacção?) , Jaimes Neves de la banda los 31 marialvas, Vascos Lourenços e os desencantados, Alpoins Calvões e amiguinhos petazetas (uma bombinha, duas bombinhas, três bombinhas tenho na mão), Isabéis do Carmo (hai as brigadas, as brigadas, que metem dó), Freitinhas de Amarais e a candura direitola papista, e Sás Carneirões que, mais tarde, aprenderam a voar (terá sido por culpa de alguns que aqui mencionei?)e já agora, e o povo, pá? que chatice... Sempre o povo pá!
Quem tem coragem de explicar a verdade?
Ouve aqui alguém que se enganou.
Ou então alguém pretende que continuemos enganados.
Da minha parte, nem para um lado, nem para o outro.
Continuarei caminhando... procurando...
domingo, 22 de novembro de 2009
três cantos (José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto)

Meus amigos. Eu perdi o espectáculo do ano! Para me redimir, já larguei o meu ourinho todo e fiz a pré-compra na FNAC (passe lá a publicidade) do exclusivo do espectáculo três cantos (2 CDs, 2 DVDs, um documentário e um livro).
Aquilo que sou, aquilo que oiço e aquilo em que acredito devo muito a estes três homens, sobretudo ao Zé Mário.
Antes de me deliciar com o espectáculo em casa deixarei para os meus amigos fanáticos dois registos (sim é para o S. e para o N.). Este um vídeo de concerto intimista do Zé Mário, e este, um vídeo dos três cantos para aguçar o apetite.
LEVANTA A CABEÇA IOIIIIIIIIIIIIIIIIII
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
sábado, 7 de novembro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
domingo, 16 de agosto de 2009
A fada e o Duende
As asas (Chico César). Né Ladeiras e Chico César (Programa Atlântico).
Botem os olhos nestes dois excelentes intérpretes.
domingo, 14 de junho de 2009
Una mujer fadista
Ese momento,Mísia(Drama Box)
Lembro-me de uma prima que adorava um malfadado disco de um cantor sul americano chamado Luís Miguel. Sempre que entrava em sua casa lá estava esse senhor a cantar as suas baladas com uma estética plástica que vende e vende e mais vende. Quase vomitava com tanta mediocridade.
Pois, meus senhores, uma dessas músicas incorporadas no disco (que só não voou da janela para o mar por mero acaso), ESE MOMENTO, foi alvo de uma versão magnífica de uma senhora portuense/catalã fadista portuguesa, com certeza, de seu nome Mísia.
Esta artista, que fez quase tudo o que é de bom no fado português, tão mal vista pela fadistagem peneirenta e snobe (sim, aquela que gosta de ser incensada em museus perto do Tejo), continua esquecida no seu próprio país e amada pelo resto do mundo.
Está tudo na mesma. Se os padrinhos de determinadas áreas não gostarem de uma pessoa, essa é esquecida, deixada de lado, ostracizada, ignorada.
Mísia é demasiado boa para ficar de parte. A anarquista do fado consegue sempre surpreender com as suas arrojadas opções estético-musicais. Para mim, a maior cantora portuguesa (de fado e não só) dos últimos 20 anos.
Curioso. No ano passado foi feito o Fados de Carlos Saura. Curioso, Mísia não entrou. Curioso, a elite da fadistagem entrou (padrinho, beijo o seu anel). Curioso, Carlos Paredes não foi invocado. Curioso, os da ruptura musical não foram invocados (tirando Amália. Se isso acontecesse seria um escândalo). São tão óbvios. E eu continuo curioso com as suas explicações.
Mas não dão. Não é preciso. Depreende-se. A mediocridade é f*****.
Vamos então começar de novo. Era uma vez um país de bondade, brandos costumes, gente digna, gente honrada, etc., etc.,etc., etc.
Já estou cansado.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
quarta-feira, 13 de maio de 2009
sábado, 25 de abril de 2009
Tanto Mar (2.ª versão)
Chico Buarque, 1978 (Curiosamente, identifico-me mais com esta versão. É mais assertiva que a primeira).
quinta-feira, 16 de abril de 2009
Sobre o GAC... a música portuguesa fundamental que ainda não foi editada em CD

O Grupo de Acção Cultural deambulou por praças, vales e montes do nosso país entre 74 e 78. Música etiquetada por um cheiro a proletariado seboso, dizem uns, música de cariz revolucionário, dizem outros. Boa música, digo eu. Boa música! Os arranjos são excelentes, alguns com erudição à mistura, com o dedo sempre ecléctico de José Mário Branco. Misto de cantos revolucionários e melodias genuinamente populares, partindo de recolhas já feitas por Giacometti e Lopes Graça.
Datada ou não, esta discografia é um documento histórico inigualável e, para bem de todos - os saudosistas, os curiosos, os outros(os burgueses bem entendido), os caceteiros, os proletários, historiadores e etnólogos - tem de sair do pó dos vinis, onde está guardada, e entrar na era do CD.
Era um bem que o capitalismo faria aos desesperados por passionárias laudas dos amanhãs que cantarão. Vá lá, façam um favor à malta.
Enquanto o devir não chega (se é que este chegará), o people poderá saborear tais melodias aqui , provavelmente disponibilizadas por um camarada amigo que ouviu os meus pedidos.
Sim, pessoal, eu sou proletariamente curioso.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Até os ateus acreditam
Na voz deste senhor:
Michael Chance, Paixão segundo S. Mateus, (J.S.Bach), Koennen Traenen meine
E não é preciso acreditar em mais nada. Com Bach e Michael Chance já atingi a salvação. É bem terrena... Humana.
Michael Chance, Paixão segundo S. Mateus, (J.S.Bach), Koennen Traenen meine
E não é preciso acreditar em mais nada. Com Bach e Michael Chance já atingi a salvação. É bem terrena... Humana.
segunda-feira, 16 de março de 2009
Pelo andarilhos e pela mata... uma colina
segunda-feira, 2 de março de 2009
Enquanto espero pela Primavera
Andreas Scholl, Venus Birds Whose Mournful Tunes, Crystal Tears, Harmonia Mundi.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
escrever sobre os amigos
Ando a pensar escrever sobre os amigos. Os meus. Não sei o que se passa, ando sem palavras. Não é uma questão de ausência. Talvez seja da extrema presença no pensamento. Acho que ainda sou muito novo só para viver de memórias, embora estas sejam visualizadas com alguma regularidade. Não por me esconder nelas. Talvez seja por uma solidão povoada de outros.
Os amigos requerem o silêncio, tendem ao silêncio, eles são o silêncio. Que melhor que o silêncio para caracterizar a vitória do prazer sobre as palavras.
Envio as mãos da água. Adormeço. E vejo.
Uma passadeira ao pé de um jardim Botânico:
- E que tal o ano da morte da música?
De um amigo para o outro.
De...
...
[silêncio]
Os amigos requerem o silêncio, tendem ao silêncio, eles são o silêncio. Que melhor que o silêncio para caracterizar a vitória do prazer sobre as palavras.
Envio as mãos da água. Adormeço. E vejo.
Uma passadeira ao pé de um jardim Botânico:
- E que tal o ano da morte da música?
De um amigo para o outro.
De...
...
[silêncio]
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Já escrevi isto. Quando achava piada à piada que tinha. Agora tou velho e rabujento, mas muito mais sábio. Gosto mais da vida assim...
Morder como quem beija… é só “cumbíbios”
Cumbíbio: substantivo deverbal masculino. Do latim accumbo, es, ere,: deitar-se, acomodar-se. Cumbíbio significa, pois, fazer-se à febra para ter hipótese de se deitar numa determinada noite.
É axioma, digo mesmo lugar comum, falar do curso de História e não referir o que se fazia quando a malta tava com fome... não uma fome de pão, não... não uma sede de água... eram outras as razões que faziam erguer a alma de um estudante comum e tornar-se errante dirigindo-se a um "cumbíbio", qual maná que alimenta as pobres almas sedentas... um povo que caminha, e juntos caminhando queremos alcançar...etc.. etc.. etc... [daqui a pouco adormeço a escrever isto]. Já perceberam a minha intenção. Quero falar dos convívios que aconteceram um pouco por toda a parte nesta Lusa-Atenas [outro axioma nojento] onde houvesse um pasquim com cerveja, dancing space e, não raras as vezes, um pilar [depois perceberão o porquê deste macambúzio instrumento de persuasão e de, quiçá, sedução]. Era tão simples. Tão vonito... [volta Vítor estás perdoado!]. Pelas paredes da faculdade (local onde é quase impossível não chumbar à cadeira travar o boato) eram colados vários papéis, vulgo cartazes (feitos, no meu tempo, em word, hoje em dia é tudo XPTO [não pensem que isto quer dizer Cristo] maçonicamente elaborados com todo o amor e carinho em programas ditos mais potentes), onde se assinalava a data e o local para tal sessão, qual corrente espiritual de libertação das tentações da carne [esta merda quase parece um post da IURD!]!! Em pleno bar da faculdade ou em frente ao Paulo Quintela [porquê é que tiraram de lá os nossos sofás? Quero o dinheiro das minhas propinas...] olhares cúmplices ou de perversa intenção cruzavam-se antecedendo o que podemos denominar de le jour fatal. Amigos e amigas... façam as vossas apostas... quem come quem? Havia períodos de verdadeira euforia... Chegámos ao dia D. Depois de um jantar nas cantinas e de um copo ou dois no Oliveira (ou em outros locais de verdadeiro pasto), a malta seguia ordeiramente até ao local onde se iria "cumbiber". Um primeiro aquecimento... uma primeira bebida para ganhar coragem... um passo em frente... um olhar positivo... uma dança mais caliente e já tá... tiro certeiro!!
Houve vários "cumbíbios" famosos neste nosso curso... "Eu aqui quase por estrear" [mais um axioma nojento] que o diga... O Sing Sing era o local perfeito para tal façanha! Um famoso dia, "quatro gatinhos" [este epíteto dava para mais uma conversa], ainda por cima caloirinhos (e muito queridos pelas meninas de História d'Arte), foram quase violados por doutoras do terceiro ano algo famintas devido ao jejum verificado nas férias grandes. Um deles tentou fugir de tal "avançada" mas foi brutalmente encostado a um pilar e preso entre os braços da sua predadora... Outro foi mordido de modo tão violento nos seus lábios que ficou assim famosa a expressão que inicia esta nossa encíclica... no dia seguinte, uma dessas vítimas foi confrontado pela agressora deste sublime modo: - "Então? Namorados?". Meu deus [não invocar o Santo Nome de Deus em vão, por isso vai em letra pequena] - pensava ele - eu que tive uma esmerada educação na Suíça tou nesta cidade a perder a dignidade que me resta.
Bem, fica aqui mais um episódio de algo tão característico do nosso feudo, que, espero, brilhe intensamente para sempre nas nossas anamnesis [eu sei que tá mal escrito mas não tou com paciência]...
Vamos lá curtir a queima... Confesso que escrevi isto num só jorro [Viva o Zé Mário...FMI!] e estava de algum modo inspirado pelo deus Baco [este não se importa que o invoquemos...], por isso isto está uma porcaria, mas vais ficar assim...
Peço desculpa à organização que, em tão bons modos, dirige este simpático blog.
Duarte Freitas
11 de Maio de 2006
Post escrito para o blog histórias de História.
Cumbíbio: substantivo deverbal masculino. Do latim accumbo, es, ere,: deitar-se, acomodar-se. Cumbíbio significa, pois, fazer-se à febra para ter hipótese de se deitar numa determinada noite.
É axioma, digo mesmo lugar comum, falar do curso de História e não referir o que se fazia quando a malta tava com fome... não uma fome de pão, não... não uma sede de água... eram outras as razões que faziam erguer a alma de um estudante comum e tornar-se errante dirigindo-se a um "cumbíbio", qual maná que alimenta as pobres almas sedentas... um povo que caminha, e juntos caminhando queremos alcançar...etc.. etc.. etc... [daqui a pouco adormeço a escrever isto]. Já perceberam a minha intenção. Quero falar dos convívios que aconteceram um pouco por toda a parte nesta Lusa-Atenas [outro axioma nojento] onde houvesse um pasquim com cerveja, dancing space e, não raras as vezes, um pilar [depois perceberão o porquê deste macambúzio instrumento de persuasão e de, quiçá, sedução]. Era tão simples. Tão vonito... [volta Vítor estás perdoado!]. Pelas paredes da faculdade (local onde é quase impossível não chumbar à cadeira travar o boato) eram colados vários papéis, vulgo cartazes (feitos, no meu tempo, em word, hoje em dia é tudo XPTO [não pensem que isto quer dizer Cristo] maçonicamente elaborados com todo o amor e carinho em programas ditos mais potentes), onde se assinalava a data e o local para tal sessão, qual corrente espiritual de libertação das tentações da carne [esta merda quase parece um post da IURD!]!! Em pleno bar da faculdade ou em frente ao Paulo Quintela [porquê é que tiraram de lá os nossos sofás? Quero o dinheiro das minhas propinas...] olhares cúmplices ou de perversa intenção cruzavam-se antecedendo o que podemos denominar de le jour fatal. Amigos e amigas... façam as vossas apostas... quem come quem? Havia períodos de verdadeira euforia... Chegámos ao dia D. Depois de um jantar nas cantinas e de um copo ou dois no Oliveira (ou em outros locais de verdadeiro pasto), a malta seguia ordeiramente até ao local onde se iria "cumbiber". Um primeiro aquecimento... uma primeira bebida para ganhar coragem... um passo em frente... um olhar positivo... uma dança mais caliente e já tá... tiro certeiro!!
Houve vários "cumbíbios" famosos neste nosso curso... "Eu aqui quase por estrear" [mais um axioma nojento] que o diga... O Sing Sing era o local perfeito para tal façanha! Um famoso dia, "quatro gatinhos" [este epíteto dava para mais uma conversa], ainda por cima caloirinhos (e muito queridos pelas meninas de História d'Arte), foram quase violados por doutoras do terceiro ano algo famintas devido ao jejum verificado nas férias grandes. Um deles tentou fugir de tal "avançada" mas foi brutalmente encostado a um pilar e preso entre os braços da sua predadora... Outro foi mordido de modo tão violento nos seus lábios que ficou assim famosa a expressão que inicia esta nossa encíclica... no dia seguinte, uma dessas vítimas foi confrontado pela agressora deste sublime modo: - "Então? Namorados?". Meu deus [não invocar o Santo Nome de Deus em vão, por isso vai em letra pequena] - pensava ele - eu que tive uma esmerada educação na Suíça tou nesta cidade a perder a dignidade que me resta.
Bem, fica aqui mais um episódio de algo tão característico do nosso feudo, que, espero, brilhe intensamente para sempre nas nossas anamnesis [eu sei que tá mal escrito mas não tou com paciência]...
Vamos lá curtir a queima... Confesso que escrevi isto num só jorro [Viva o Zé Mário...FMI!] e estava de algum modo inspirado pelo deus Baco [este não se importa que o invoquemos...], por isso isto está uma porcaria, mas vais ficar assim...
Peço desculpa à organização que, em tão bons modos, dirige este simpático blog.
Duarte Freitas
11 de Maio de 2006
Post escrito para o blog histórias de História.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
A prima donna que estou a ouvir neste momento

Poderá parecer estranho aos que aqui deitam o olho e aos que me conhecem. Não sei se é da idade (os meus pais gostam. Gostar é pouco. Veneram!)ou se é de uma nostalgia ressabiada (Hai mouraria...) e retrógrada. Talvez seja tontice. Não, estupidez. Não,demência. Sei lá!!!, cataloguem se quiserem... Num dia destes, dei por mim a ouvir vocês sabem de quem estou a falar. E por incrível que pareça [este post está preconceituoso e nojento] gostei. Dei com uma Maria Faia de olhos incríveis [desculpem, mas ela nisso (dos olhos, bem entendido)... quase se comparam com a voz!] e de cabelo elnetiano estourado, com fatinho a la estilista costureirinha de bairro (bem ganhavam naquele tempo...).
Siga a conversa. Deve mesmo ser da idade! A VOZ, QUE VOZ! não sei que dizer... Ouvir qualquer coisa tangida por esta senhora é tempo bem passado [à excepção do Malhão malhão e do fadinho serrano, do cuchicho e do Valentim, do Típanas e do Cheira a Lisboa e daquela coisa escrita pelo Carlos Paião que mistura marcianos e portugas. Que pleonasmo!). Deitem os olhos, neste caso os ouvidos, a músicas como o Fado de Peniche [lá tinha que vir a costela do martelo e da foice (ou ao contrário, da foice e do martelo.). Até dizem que ela deu dinheirinho para a causa... a nossa, ups.. a deles, que eu desde os 14 anos que aquela gente não me engana. Quem manda ler a Mãe de Gorky em tenra idade?], a Primavera, o Meu amor, meu amor,o Malhão de S. Simão (popularucho mas incrivelmente bem arranjado) e o Povo que lavas no rio...
Pois meus senhores. Chegou a altura (idade?). Passei estes anos todos a ouvir divas da Índia (entrega-te a shivaaaaaaaaaaaaaaa!), de África (África mãe, mãe África), da América Latina (hasta siempre!) e do raio que a parta, para dar comigo a ouvir o que estava aqui ao lado. Gostei. Amei. Tou viciado.
É engraçado, depois de tomar conhecimento desta senhora, desprezo cada vez mais os seus clones de cabelo estranho [à exepção da Mísia, esta gosto. Vá lá Duarte, diz a verdade... adoro (ups deixei fugir uma palavra)], as novas divas, de vestidinho copiado, desta vez feito pelos grandes estilistas da moda.
Vá lá. Vá lá. Só espero que não me abandonem. Amigos, vocês ainda gostam de mim? mesmo com este desvario revisionista? mesmo com este laivo de tão pouca intelectualidade? a sério? obrigado. Prometo que não falo mais nisto...
P.S. - Ainda não vi o filme que anda nas bocas do mundo. Já gostava da dita antes (não esquecer de apagar esta frase, suprimir, delete...).
Ai não gostam? Não perdoam? Desculpem mas não apago este post!
P.S. 2 - Adoro escrever coisas num só jorro...
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
As Memórias que Nunca se Apagam
Banda sonora de um filme madeirense que vai estrear por estes dias.
As Memórias que Nunca se Apagam...
Promete
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
os livros que derrubaram o meu ser no ano que passou
A viagem do elefante - José Saramago
A peste - Camus
O estrangeiro - Camus
O meu Nome é Legião - António Lobo Antunes
Eu hei-de amar uma pedra - António Lobo Antunes
Ontem não te vi em Babilónia - António Lobo Antunes
O arquipélago da insónia - António Lobo Antunes
As benevolentes - J. Litell
A condição humana - Malraux
A Esperança - Malraux
A 25.ª Hora - V. Gheorghiu
Jerusalém - Gonçalo M. Tavares
Não me perdoo por não ter o novo do Herberto (Helder é claro!).
Iniciei no dia 31 o Rayuela. Este merece estar em toda e qualquer lista. Como se de listas o mundo se tratasse. Ou de números. Ou de quantificações. Ou de... Que merda! Apetece-me apagar este post.
A peste - Camus
O estrangeiro - Camus
O meu Nome é Legião - António Lobo Antunes
Eu hei-de amar uma pedra - António Lobo Antunes
Ontem não te vi em Babilónia - António Lobo Antunes
O arquipélago da insónia - António Lobo Antunes
As benevolentes - J. Litell
A condição humana - Malraux
A Esperança - Malraux
A 25.ª Hora - V. Gheorghiu
Jerusalém - Gonçalo M. Tavares
Não me perdoo por não ter o novo do Herberto (Helder é claro!).
Iniciei no dia 31 o Rayuela. Este merece estar em toda e qualquer lista. Como se de listas o mundo se tratasse. Ou de números. Ou de quantificações. Ou de... Que merda! Apetece-me apagar este post.
Subscrever:
Mensagens (Atom)