Não tenho a menor dúvida de que não há, na língua portuguesa, quem me chegue aos calcanhares. E nada disto tem a ver com vaidade porque, como sabe, sou modesto e humilde.
António Lobo Antunes, na Visão desta semana.
Ele tem razão... Eu concordo.
Mas gostaria de ter sido eu a afirmar isto sobre ele, e não ele sobre ele próprio.
Já Torga tinha essa mania... O que vou fazer???
Não tenho a menor dúvida que não vou deixar de ler os seus livros...
É uma ilha em forma de cão sentado com a cabeça inclinada para perscrutar o enigma da água. O cão tem as orelhas fitas porque recebe notícias de vento ao mesmo tempo que cheira e olha o mar. O cão está sentado no Atlântico. Herberto Helder, Photomaton & Vox
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
A actualidade do que se escreveu no passado
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Aquilo que vejo em muitos museus... pó e gente que dorme
Muzeum
Są talerze, ale nie ma apetytu.
Sa obrączki, ale nie ma wzajemności
od co najmniej trzystu lat.
Jest wachlarz - gdzie rumieńce?
Są miecze - gdzie gniew?
I lutnia ani brzęknie o szarej godzinie.
Z braku wieczności zgromadzono
dziesieć tysięcy starych rzeczy.
Omszały woźny drzemie słodko
zwiesiwszy wąsy nad gablotką.
Metale, glina, piórko ptasie
cichutko tryumfują w czasie.
Chichocze tylko szpilka po śmieszce z Egiptu.
Korona przeczekała głowę.
Przegrała dłoń do rękawicy.
Zwyciężył prawy but nad głową.
Co do mnie, żyję, proszę wierzyć.
Mój wyścig z suknią nadal trwa.
A jaki ona upór ma!
A jakby ona chciała przeżyć!
Szymborska Wisława
Museu
Há pratos, mas falta apetite.
Há alianças, mas falta reciprocidade
pelo menos desde há trezentos anos.
Há o leque - onde os rubores?
Há espadas - onde há ira?
E o alaúde nem tange à hora gris.
Por falta de eternidade juntaram
Dez mil coisas velhas.
Um guarda musgoso cochila docemente
com os bigodes caindo sobre a vitrine.
Metais, barro, plumas de ave
Triunfam silenciosamente no tempo.
Apenas um alfinete da galhofeira do Egito ri zombeteiro.
A coroa deixou passar a cabeça.
A mão perdeu a luva.
A bota direita prevaleceu sobre a perna.
Quanto a mim, vivo, acreditem por favor.
Minha corrida com o vestido continua.
E que resistência tem ele!
E como ele gostaria de sobreviver!
[tradução brasileira de José Santiago]
Są talerze, ale nie ma apetytu.
Sa obrączki, ale nie ma wzajemności
od co najmniej trzystu lat.
Jest wachlarz - gdzie rumieńce?
Są miecze - gdzie gniew?
I lutnia ani brzęknie o szarej godzinie.
Z braku wieczności zgromadzono
dziesieć tysięcy starych rzeczy.
Omszały woźny drzemie słodko
zwiesiwszy wąsy nad gablotką.
Metale, glina, piórko ptasie
cichutko tryumfują w czasie.
Chichocze tylko szpilka po śmieszce z Egiptu.
Korona przeczekała głowę.
Przegrała dłoń do rękawicy.
Zwyciężył prawy but nad głową.
Co do mnie, żyję, proszę wierzyć.
Mój wyścig z suknią nadal trwa.
A jaki ona upór ma!
A jakby ona chciała przeżyć!
Szymborska Wisława
Museu
Há pratos, mas falta apetite.
Há alianças, mas falta reciprocidade
pelo menos desde há trezentos anos.
Há o leque - onde os rubores?
Há espadas - onde há ira?
E o alaúde nem tange à hora gris.
Por falta de eternidade juntaram
Dez mil coisas velhas.
Um guarda musgoso cochila docemente
com os bigodes caindo sobre a vitrine.
Metais, barro, plumas de ave
Triunfam silenciosamente no tempo.
Apenas um alfinete da galhofeira do Egito ri zombeteiro.
A coroa deixou passar a cabeça.
A mão perdeu a luva.
A bota direita prevaleceu sobre a perna.
Quanto a mim, vivo, acreditem por favor.
Minha corrida com o vestido continua.
E que resistência tem ele!
E como ele gostaria de sobreviver!
[tradução brasileira de José Santiago]
sexta-feira, 14 de setembro de 2007
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Causas da decadência... (Foto V)
terça-feira, 11 de setembro de 2007
imagem com gente dentro [13]

Barcos xavelhas, canoas, linhas, velas, Homens... Câmara de Lobos: Conjugação do jugo matricial, da âncora que não se desfaz mesmo depois de muitos anos. Sentido(s) de pertença...
Câmara de Lobos: Tenho comigo a mágua de te terem reduzído a uma simples carraça do cão sentado.
Pelo sorriso directo e espontâneo que os teus dão à vida...
Baía de Câmara de Lobos, algures na década de 40
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Requiem operático [2]
Não gosto de Verdi, com a suas operazitas de faca e alguidar ... sem substância (tirando o Falstaf... essa é muito interessante)
Mas fez um monumento digno de registar. O seu Requiem operático... um digno registo para salvar os mortos da condenação eterna...
neste excerto canta a diva Luba orgonasova... uma voz admirável.
Versão de J. E. Gardiner ( a melhor que conheço).
Requiem operático
E lá ficaram os pecados do mundo porque assim é a vida...
(seu depravado)
Cataráticos dos ouvidos...
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Arvo Part... em acordeon!!! interessante.
Um dos compositores contemporâneos da minha preferência é, sem dúvida, Arvo Part.
Há quem não goste da sua lógica minimalista e insinue que esta pouco cria mais do que transes místicas, de shivas e afins (cristianizados pois claro!!!)e pozinhos de perlim pim pim...
Peço somente a esses que, numa ânsia desesperada, catalogam tudo
(sim eu sei, eu sou o dono do mundo, eu é que sei porque eu percebo e faço aquilo e isto e não sei se me está a compreender, ai não?)
para tentar compreender o mundo em que vivemos... procurem primeiro despojar a alma de todos os elementos sonoros ulteriores e oiçam como se fosse pela primeira vez, um qualquer excerto de Part.
Talvez seja pedir muito... eu sei. Oiçam então as primeiras obras em escrita dodecafónica... aí já gostam... não é?
Olha deixaste cair a chaves do carro. (FMI, José Mário Branco)
Está bem... Pronto. Já parei.
Deparei-me com este achado no You Tube e quis partilhar comigo e com os poucos que conhecem este enderreço de diarreia mental
Jota pimenta 4 Ever (FMI, José Mário Branco)
Gosto...
Por isso estou fora...SHIVAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA~~~~~~~~~~
És tão provinciano (frase dirigida à minha pessoa por um professor catarático da FLUC, um dos antros ecléticos da mamã dos bacharéis)
OK desta é de vez... não liguem por favor!!!
(A neurose faz mal às orelhas) (D.F.)
- Aos ouvidos de quem?
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