A verdade é um erro à espera de vez.
Vergílio Ferreira, Aparição.
É uma ilha em forma de cão sentado com a cabeça inclinada para perscrutar o enigma da água. O cão tem as orelhas fitas porque recebe notícias de vento ao mesmo tempo que cheira e olha o mar. O cão está sentado no Atlântico. Herberto Helder, Photomaton & Vox
segunda-feira, 30 de abril de 2007
Pedro, os teus pecados serão perdoados...
Mesmo sendo ateu, atrevo-me a ministrar a sua absolvição (a quem negou XPO três vezes... e o galo cantou...) mediante tal transpiração musical, composta por um dos pais da música ocidental. Neste vídeo, a devida prostração não ficou em mãos alheias. Michael Chance confirma ao vivo que é um dos melhores contratenores da actualidade. Já o tinha feito em gravação de estúdio da mesma obra, já lá vão uns anos, dirigida pelo Sir J. E. Gardiner.
Erbame dich, Paixão segundo São Mateus (J.S.Bach)
Rasgar papéis pretéritos...

- Quis veritas?
- Vai Gomes Eanes de Zurara! Vai ...
domingo, 29 de abril de 2007
Ela Canta, pobre ceifeira

(…)
- Porque o poder do homem é desconhecido…
- Porque o poder da alma é majestoso…
(…)
Porque possuo dentro de mim um sentido de pertença que se activa facilmente com tudo o que se ergue e me traga um sabor culturalmente genuíno do contexto espacial natal… faz com que me aperceba que não sou verde ou azul, com água pela cintura, mas sim, como outros que vivem a meu lado, um reservatório pretérito de uma alma original que, num mito de movimentos giratórios (quase um verdadeiro samsara), penetrou no coração de uma colectividade e, com ela, permaneceu em rito sem sair desta realidade espiral do tempo.
Na amargura quotidiana desta vida, alguns desses reservatórios de água (que só cresce com a nossa atenção) perdem-se no tempo e se libertam finalmente das constantes reencarnações, não por ter atingido a perfeição de um Brahman, nem mesmo por ter expurgado os pecados do mundo ou ter atingido o seu futuro histórico. Afundam-se pela nossa falta de atenção para com as coisas primordiais, para o cuidado da nossa alma … do nosso bairrismo sadio.
Na ânsia presente deste mundo amorfo, procuro, com voraz insistência, ouvir os sons e seus jocosos remendos invocados nas cordas vocais da dita mulher e guardar essa alma dentro dos meus sentidos… só assim guardarei o pouco que resta das nossas coisas primeiras que, aos poucos, morrem neste desvario espelho de água que se parte, levando assim a pouca água de uma atenção ulterior. Emerge, como uma névoa solitária, o vazio de não saber onde jazem os nossos antepassados espirituais… as nossas coisas pequenas… a pertença da nossa alma… a alma da nossa pertença… a conjugação do nosso eu com a comunidade… o mais genuíno dos sentidos… o primordial…
Causas artificiais de um nascimento

Sem se afirmar para o futuro, vive de um passado decrépito e indulgente, onde um nome sonante vale mais que todas as almas que se dispõem a labutar para um devir real…Oxalá se levante… e ande… faça no tempo que virá o que nunca fez no passado… não olhar para os errantes furtivos (i)letrados como homens de mera passagem, eternos repositórios de dinheiro ambulantes, mas com a clareza de quem lhes ensina que o mundo não acaba para além do Mondego…
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