Sobre o Poema
Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo.
Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.
— Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
— E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
É uma ilha em forma de cão sentado com a cabeça inclinada para perscrutar o enigma da água. O cão tem as orelhas fitas porque recebe notícias de vento ao mesmo tempo que cheira e olha o mar. O cão está sentado no Atlântico. Herberto Helder, Photomaton & Vox
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
queria de ti um país...
A morte de um pensamento.
Não. Não vivo num país. Vivo numa merda aquosa de políticos estupidificantes... Deparei-me hoje com um deles. Nem a mentir...
Aí Portugal Portugal...
ADEUS. HOJE MORRI PARA TI.
VAI PARA A P*T* QUE NÂO TE SOUBE PARIR...
AMANHÃ NÃO SEI...
MAS HOJE...
VAI MESMO...
Não. Não vivo num país. Vivo numa merda aquosa de políticos estupidificantes... Deparei-me hoje com um deles. Nem a mentir...
Aí Portugal Portugal...
ADEUS. HOJE MORRI PARA TI.
VAI PARA A P*T* QUE NÂO TE SOUBE PARIR...
AMANHÃ NÃO SEI...
MAS HOJE...
VAI MESMO...
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
sábado, 12 de janeiro de 2008
fúria com um teclado que não me deixa falar
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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
para um amigo...
(ao telefone)
- Tou?
- Sim, diz lá o que queres...
- O quê?
- Diz lá o que queres! Ultimamente sempre que telefonas é para pedir alguma coisa...
- Tou?
- Sim, diz lá o que queres...
- O quê?
- Diz lá o que queres! Ultimamente sempre que telefonas é para pedir alguma coisa...
domingo, 6 de janeiro de 2008
A morte de um libertino libertário
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
O mundo de Beatriz por Chico... o Buarque pois claro!
Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da actriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que ela é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da actriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da actriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida
Beatriz, Chico Buarque/Edu Lobo
Excertos de uma versão da Maria João e do Mário Laginha
A palavra sublime é manifestamente inferior...
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da actriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que ela é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da actriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da actriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida
Beatriz, Chico Buarque/Edu Lobo
Excertos de uma versão da Maria João e do Mário Laginha
A palavra sublime é manifestamente inferior...
terça-feira, 1 de janeiro de 2008
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