quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Herberto Helder escreve o que sinto e não sei dizer...

Sobre o Poema
Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.

Fora existe o mundo.
Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
— a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.

— Embaixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.

— E o poema faz-se contra o tempo e a carne.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

queria de ti um país...

A morte de um pensamento.
Não. Não vivo num país. Vivo numa merda aquosa de políticos estupidificantes... Deparei-me hoje com um deles. Nem a mentir...
Aí Portugal Portugal...
ADEUS. HOJE MORRI PARA TI.
VAI PARA A P*T* QUE NÂO TE SOUBE PARIR...
AMANHÃ NÃO SEI...
MAS HOJE...
VAI MESMO...

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

cantadeira Catarina Chitas


Sabedoria da mulher de Penha Garcia.
Uma paixão de anos...

sábado, 12 de janeiro de 2008

fúria com um teclado que não me deixa falar

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quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

para um amigo...

(ao telefone)
- Tou?
- Sim, diz lá o que queres...
- O quê?
- Diz lá o que queres! Ultimamente sempre que telefonas é para pedir alguma coisa...

domingo, 6 de janeiro de 2008

A morte de um libertino libertário


Luís Pacheco, In memoriam


Farás falta seu traste...deixaste um dos maiores apontamentos da língua portuguesa... A Comunidade.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Recordação....

Ainda não caíste no esquecimento...

Escurinha tu tens que ser minha...



Uma versão deliciosa de um samba com a doçura da Maria João.

O mundo de Beatriz por Chico... o Buarque pois claro!

Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da actriz

Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha
Será que ela é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da actriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da actriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida


Beatriz, Chico Buarque/Edu Lobo



Excertos de uma versão da Maria João e do Mário Laginha
A palavra sublime é manifestamente inferior...

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

O melhor livro que li em 2007



António Lobo Antunes, Fado Alexandrino