É uma ilha em forma de cão sentado com a cabeça inclinada para perscrutar o enigma da água. O cão tem as orelhas fitas porque recebe notícias de vento ao mesmo tempo que cheira e olha o mar. O cão está sentado no Atlântico. Herberto Helder, Photomaton & Vox
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Delos, o coração das Cíclades
um cemitério da Antiguidade Clássica ao ar livre.
A troika também lixou estas pedras.
Qualquer dia voltarão a cantar e a perscrutar os enigmas do mar Egeu.
Entretanto perde-se um braço, uma perna, um rosto, um capitel, um sonho de edificar templos, uma maneira de cumprir promessas, de cumprir passados. Perde-se o Homem e os seus deuses.
Ao ver isto sou um homem perdido.
quinta-feira, 29 de março de 2012
Depois de um ano nada sabático
Sento-me na secretária em frente a uma janela, que dá para a belíssima mata de Vale de Canas, e escrevo.
Abandonei estas paragens e iniciei outras navegações, estas escritas na espuma dos dias e do tempo.
Não sei se estou mais sábio, provavelmente serei sempre a ilusão do que nunca fui ou do que nunca quis ser.
Crescem coisas vivas e mortas na essência deste pensamento. Cresce uma outra condição, tempos de felicidade. Cresce a possibilidade de um futuro animador.
Assim seja.
Abandonei estas paragens e iniciei outras navegações, estas escritas na espuma dos dias e do tempo.
Não sei se estou mais sábio, provavelmente serei sempre a ilusão do que nunca fui ou do que nunca quis ser.
Crescem coisas vivas e mortas na essência deste pensamento. Cresce uma outra condição, tempos de felicidade. Cresce a possibilidade de um futuro animador.
Assim seja.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Não muito distante
Madredeus, Não Muito Distante (álbum O Paraíso).
Depois de mais de vinte anos a encantar, estes senhores deram por terminado o seu percurso musical...
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
País da mediocridade
Um primeiro-ministro na televisão a arrotar números com uma cara de boneco de pau falante.
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
Deusa do Ébano - Virgínia Rodrigues
Virginia Rodrigues, Deus do Fogo e da Justiça (do fantástico álbum Nós).
Ouvi pela primeira vez esta voz num filme italiano. A película era mediana, mas esta voz mexeu comigo. Acabei por ver os créditos finais para registar o nome do cantor ou da cantora. Ainda pus a hipótese de ser um homem a cantar (em registo falsete). Olhei para o ecrã e vi o nome de Virgínia Rodrigues.Esta mulher tem um registo de contralto absolutamente inédito na história da música universal. Curioso... a televisão brasileira não dá um chavo por ela. Curioso... ela é mais conhecida fora do Brasil do que dentro do próprio país. Curioso... como podem pôr de parte esta preciosidade vocal e enaltecer chororós e bregas e mais rafeiradas vindas do Carnaval da Baía. Este mundo está perdido... Com uma voz absolutamente deslumbrante, esta mulher está, a meu ver, na lista de vozes femininas fundamentais da World Music (seja isto o que for), ao lado de Mercedes Sosa, Xavela Vargas e Amália Rodrigues.
Pena... a mediocridade das TVs...
É pena...
sábado, 22 de janeiro de 2011
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
O que trouxe o pai natal capitalista
As laudas e primas revolucionárias são banda sonora deste natal... sim, porque sou proletariamente curioso!
sábado, 11 de dezembro de 2010
E um toque de galeico
LCaoineadh na dTrí Muire (o Lamento das três Marias), cantado por alguém que muito admiro, o cantor Irlandês Iarla O Lionaird.
domingo, 5 de dezembro de 2010
De repente este blog ficou com um cheiro a mofo e a incenso...
É preciso abrir uma janela para ver se entra ar fresco...
Nunca ví ninguém a ser tão incensado como este fim-de-semana. Ainda para mais, alguém a quem não dou um chavo...
É assim que os mitos nascem, com Santanas Lopes, Freitas dos Amarais e "chefes de famílias" desta Respublica Christiana a adorarem santos retrógrados... santos que antes do 25 de Abril tinham uns discursos do mais à direita possível (digo isto com a bitola e air du temp da época). Vejam os jornais... vejam... há... é chato essa coisa da escrita e da memória...
a política escreve-se na espuma dos dias... a História escreve-se no bronze...
O que mais me mete nojo são políticos a quererem criar mitos...
Nunca ví ninguém a ser tão incensado como este fim-de-semana. Ainda para mais, alguém a quem não dou um chavo...
É assim que os mitos nascem, com Santanas Lopes, Freitas dos Amarais e "chefes de famílias" desta Respublica Christiana a adorarem santos retrógrados... santos que antes do 25 de Abril tinham uns discursos do mais à direita possível (digo isto com a bitola e air du temp da época). Vejam os jornais... vejam... há... é chato essa coisa da escrita e da memória...
a política escreve-se na espuma dos dias... a História escreve-se no bronze...
O que mais me mete nojo são políticos a quererem criar mitos...
terça-feira, 23 de novembro de 2010
O senhor Antunes no Hospital
Um bom livro, mas não é o melhor do senhor Antunes, ao contrário do que vi escrito em muito jornal e revistas. Opiniões. Mas é do senhor António... e um livro mediano do senhor Lobo bate qualquer coisa que seja publicada neste país e que tenha a pretensão de ser literatura. Este homem merece todos os prémios do mundo, se bem que de prémios está o mundo literário cheio. Para mim o próximo Nobel português. Ao mesmo nível do outro, o sábio que vimos partir este ano e que nos deixou as melhores parábolas de sempre. Este descreve a mente humana, portuga de nascença, como ninguém.
as primeiras coisas eram verdes ou azuis
duras esmeraldas umas, outras animais, vibrantes
quando lhes toca a luz; o mais das vezes encostados
à parede do estábulo, com grandes olhos húmidos
e um precipício ao fundo ( e as nuvens são o seu bafo).
e no entanto, visto à distância exacta, tudo se transforma:
o cenário do mundo é só um infinito espaço
cheios de coisa nenhuma, e a luz o puro efeito
de dois deuses menores que marcam o compasso.
é certo que, na chuva, o teu corpo anuncia
com seu distante olhar, um prazer que não cabe
na estreiteza da fábula; um céu, não duvidemos,
acolhe o terno gesto que não foi.
já na parede a meio branca traço, a contragosto,
o tempo mal passado que apodrece, e numinante encosto
ao tampo de água o bico ou pincel fosco
onde surgira, de repente, nada.
os portões oscilam, e a erva adiante, se nos aproximamos.
claramente vejo como te divides
num infinito número simultâneo de mundos.
as palavras celebram, mudas, a água na paisagem,
verde ou azul, conforme desejaste.
avanço imóvel, descalço sobre a erva,
e quando fecho os olhos invade-me a luz por dentro
compacta, completa, como as coisas primeiras.
António Franco Alexandre
sábado, 16 de outubro de 2010
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Cantiga da Roda
Cantiga da Roda - Documentário de Michel Giacometti Povo que Canta, década de 70 do século XX.
Catarina Chitas - uma paixão de anos
Catarina Chitas (Restolho/Penha Garcia)- Documentário de Michel Giacometti Povo que Canta década de 70 do século XX.
A palavra, a música, o sublime protesto, o gosto popular
Era Uma Vez Um Cantor Maldito, Fausto Bordalo Dias (do álbum A Ópera Mágica do Cantor Maldito).
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