Estou de férias na ilha...
Hoje, despertei com um jornal pseudo-gratuito à porta de casa.... um tal Jornal da Madeira, qual maná dos pobres de espírito e educador das massas de beligerância insular.... órgão oficial de uma diarreia cerebral de três torrentes: o fascismo insular pré 25 de Abril; a Igreja Católica madeirense (não digo mais nada... bispo, beijo o seu anel) e os amiguitos petazetas da FLAMA, a famosa frente de Libertação da Madeira, formada por meia dúzia de arruaceiros de famílias de "bem", alguns deles bem sentados no parlamento regional, um local da sacrossanta ignorância e palavrão ouvido com muita frequência, muito mais do que os impropérios que eu oiço quando dou uma volta pelas Malvinas, fazendo ainda lembrar os epítetos largados ao vento ouvidos quando passava pelo antigo Bairro do Borrão.
E ainda há quem diga que o pasquim não é nada tendencioso e que transporta uma visão verdadeiramente independente... Deixem-me rir... O número de hoje apresenta na primeira página a letra cor de Laranja (uma cor tão bonita!!! tão semiótica, tão enternecedora, tão popular, só falta a chaminé...) a lírica mensagem: "Se quer viver informado, leia o Jornal da Madeira... se quer conflitos inúteis, leia e oiça outros...".
Ai, povo enganado....
É uma ilha em forma de cão sentado com a cabeça inclinada para perscrutar o enigma da água. O cão tem as orelhas fitas porque recebe notícias de vento ao mesmo tempo que cheira e olha o mar. O cão está sentado no Atlântico. Herberto Helder, Photomaton & Vox
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Chico Buarque - Construção
Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
Por esse pão pra comer, por esse chão prá dormir
A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir,
Deus lhe pague
Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
Pela fumaça e a desgraça, que a gente tem que tossir
Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair,
Deus lhe pague
Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir,
Deus lhe pague
quarta-feira, 14 de julho de 2010
História dos Povos em Documentário (15)
La pelota vasca. La piel contra la piedra, de Julio Medem (2003).
Sobre a situação do país Basco. Não confundir o nacionalismo basco de aspirações independentistas com a ETA (famigerado grupo armado). O terrorismo do Estado Espanhol (sim, esse existe e dá dó... torturas, perseguições, detenções sem causa aparente e orelhas mocas... não ouvir, não respeitar, não querer saber...) também popula ao longo de todo documentário.
Eu acredito que, no futuro, Euskadi terá a sua independência. Logo depois da Catalunha.
Trilogia
Fausto e Orlando Costa- Excerto da Peça de Teatro Fernão Mentes & A Voar Por Cima das Águas (Por este rio acima).
Fausto Bordalo Dias está a terminar a trilogia musical baseada em textos da História dos descobrimentos portugueses. Aos senhores que pensam retirar destas canções laudas e hagiografias a Infantes e heróis incensados por uma certa historiografia estatal, positivista e mofenta, muitas vezes oficializada e ouvida em bocas de gente que valha-nos deus (com letra pequena e está muito bem assim...), o portugalzito dos quatro mares pintalgados e dos senhores de turbante e bigode retratados em painéis (ditos de São Vicente) que não são mais do que a porra nenhuma e que muita tinta já correu e correrá (estou a divagar...). Voltando à vaca fria... Sim meus senhores, enganam-se redondamente. O autor não incensa ninguém. É pura música, e da melhor (agora incenso eu... mas este senhor merece). Fausto parte da documentação escrita na época dos descobrimentos (1.º Peregrinações, de Fernão Mendes Pinto [o que eu sonhei quando li este livro] 2.º História Trágico-Marítima de Bernardo Gomes de Brito, 3.º cronistas como Gomes Eanes de Zurara [escrevi uma tese a bater neste senhor. Sim, é um plagiador da Virtuosa Benfeitoria do Infante D. Pedro e não só... até mete dó], Cadamosto, Conde de Ficalho, André Álvares de Almada e P. Francisco Álvares) e constrói um conjunto de canções que têm por base a raiz da música popular portuguesa. Verdadeiras obras primas saíram nos dois volumes já lançados. Desde o "Barco Vai de Partida", à "Ilha", do "Ao som do mar e do vento" (absolutamente brilhante) ao "Na ponta do cabo", passando pelo lirismo em ritmo de adufes do "Lembra-se um sonho lindo" e das influências exóticas do "Porque não me vês" e do "Por este rio acima". Este último foi o título escolhido do primeiro volume, inspirado nas histórias fantásticas de Fernão Mendes Pinto. Constitui-se numa verdadeira pérola da musica popular portuguesa, reconhecida para além fronteiras. Alguns anos atrás (era eu caloiro na UC), um colega italiano, adepto de serões no La Scala (sim, o de Milão),passava a vida a trautear o "Como um sonho acordado" e pediu-me encarecidamente para traduzir a letra para inglês. Depois da tradução feita (nessa altura não existia o tradutor rasca do Google) ele olhou para o papel e disse: "É isto, é isto mesmo... com esta música não podia deixar de ser isto...."(não, foi da minha tradução, que não estava assim tão má... vá lá... não me chateiem...). Horas depois chegou ao pé de mim com o Peregrinações por debaixo do braço. O segundo volume, intitulado "Crónicas da Terra Ardente" não foi tão reconhecido pelo público. É o meu preferido (para muitos, o que afirmei agora é a mais pura das heresias). Explico. A História Trágico Marítima (uma obra extremamente interessante) não é tão conhecida como o Peregrinações e, muito menos tem o espírito sonhador do Fernão Mendes Pinto (muito bem desenhado nas canções feitas por Fausto), embora tenha imagens muito fortes, com a descrição sucessiva dos naufrágios de algumas embarcações e a tentativa, desesperada, dos tripulantes sobreviverem ao massacre do mar. Estes cenários apocalípticos são esplendidamente invocados pela música e letra do cantautor, como por exemplo na canção (um verdadeiro tratado da musica popular portuguesa) "Na Ponta do Cabo" ou então no remorso do "Manuel de Sousa Sepúlveda" e até mesmo na quase cinemática "A Chusma salva-se assim" (Gaspar Ximenes calado/ Não chores alto cuidado/ Tu chora só no coração/ Senão vais como o teu irmão/ Ás arfadas/ Aos arrancos em prantos/ E às golfadas...). Pena que as misturas do álbum e o próprio estúdio não sejam grande coisa. Mereciam o melhor estúdio do mundo para gravar o que considero ser um dos melhores álbuns de sempre! Quem me dera que fosse gravado nos estúdios da Real World do Peter Gabriel, aí queria ver qual dos dois álbuns seria o melhor (e com isto não pensem que não gosto do primeiro... não, gosto mais das canções do segundo). O 3.º volume da trilogia sairá no final deste ano. Lá vou queimar o meu ourinho todo... todinho. Lá terá de ser. O mais interessante, para além da letra e da música (obviamente), é a escolha dos trechos e dos cronistas dos descobrimentos. Por dever de ofício, conheço quase todos e li alguns dos registos históricos dos autores já apontados pelo programa do espectáculo que Fausto deu no CCB, onde descortinou mais de meia dúzia das canções que constarão no próximo CD. Que venha... que venha....
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Como me sinto depois de me lixarem a vida... para não dizer outra coisa
Eu venho das horas do diabo
Venho mais negro do que a vida
Quem me deitou um mau olhado
Com a boca posta de lado
Com sete pragas rangidas
Não foi bruxo
Nem feiticeira
Namoradeira
Nem foi Deus
Nem foi Belzebu
Lá estás tu
Foi esta cidade
Esse muro
Aquele estranho futuro
A tropeçar na avenida
Eu já me lancei na bebida
Trago o corpo esquinado
A insinuar um bailado
Vou-me rir muito
Vou gozar mais
Vou cantar o sol-e-dó
Perder-me em doses fatais
Tu vais ver só
O pé de vento que se vai levantar
Comigo a rodopiar
Coça, coça a barriga
Pantominas
Coça, coça a barriga
Patavinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Coça, coça a barriga
Vitaminas
Coça, coça a barriga
Nicotinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Os meus olhos são vaga-lumes
Inquietos num claro vazio
Vacilam em noites suicidas
Insinuam despedidas
À deriva meu navio
Amanhã não sei o que virá
O que será
Dá saudades minhas lá no bairro
Cara Linda
Vou partir como um condenado
Amargo e desfuturado
Achincalhando no fundo
E ao chegar à beira mundo
Abrir então os meus braços
P´ra me lançar no espaço
Vou-me rir muito
Vou gozar mais
Vou cantar o sol-e-dó
Perder-me em doses fatais
Tu vais ver só
O pé de vento que se vai levantar
Comigo a rodopiar
Coça, coça a barriga
Pantominas
Coça, coça a barriga
Patavinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Coça, coça a barriga
Vitaminas
Coça, coça a barriga
Nicotinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Bate forte meu coração
Salta minha fera encurralada
Já ninguém ouve o teu pregão
Tua mais linda canção
Futurando as madrugadas
Vou fugir contigo p´ra Manágua
Olhos-d´Água
Ainda um dia destes sou feliz
Por um triz
Darei largas à minha loucura
E já ninguém me segura
Quando eu voltar sonhador
Eu hei-de ser belo e sedutor
Tu vais por uso e costume
Enlouquecer de ciúmes
Vou-me rir muito
Vou gozar mais
Vou cantar o sol-e-dó
Perder-me em doses fatais
Tu vais ver só
O pé de vento que se vai levantar
Comigo a rodopiar
Coça, coça a barriga
Pantominas
Coça, coça a barriga
Patavinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Coça, coça a barriga
Vitaminas
Coça, coça a barriga
Nicotinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Venho mais negro do que a vida
Quem me deitou um mau olhado
Com a boca posta de lado
Com sete pragas rangidas
Não foi bruxo
Nem feiticeira
Namoradeira
Nem foi Deus
Nem foi Belzebu
Lá estás tu
Foi esta cidade
Esse muro
Aquele estranho futuro
A tropeçar na avenida
Eu já me lancei na bebida
Trago o corpo esquinado
A insinuar um bailado
Vou-me rir muito
Vou gozar mais
Vou cantar o sol-e-dó
Perder-me em doses fatais
Tu vais ver só
O pé de vento que se vai levantar
Comigo a rodopiar
Coça, coça a barriga
Pantominas
Coça, coça a barriga
Patavinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Coça, coça a barriga
Vitaminas
Coça, coça a barriga
Nicotinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Os meus olhos são vaga-lumes
Inquietos num claro vazio
Vacilam em noites suicidas
Insinuam despedidas
À deriva meu navio
Amanhã não sei o que virá
O que será
Dá saudades minhas lá no bairro
Cara Linda
Vou partir como um condenado
Amargo e desfuturado
Achincalhando no fundo
E ao chegar à beira mundo
Abrir então os meus braços
P´ra me lançar no espaço
Vou-me rir muito
Vou gozar mais
Vou cantar o sol-e-dó
Perder-me em doses fatais
Tu vais ver só
O pé de vento que se vai levantar
Comigo a rodopiar
Coça, coça a barriga
Pantominas
Coça, coça a barriga
Patavinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Coça, coça a barriga
Vitaminas
Coça, coça a barriga
Nicotinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Bate forte meu coração
Salta minha fera encurralada
Já ninguém ouve o teu pregão
Tua mais linda canção
Futurando as madrugadas
Vou fugir contigo p´ra Manágua
Olhos-d´Água
Ainda um dia destes sou feliz
Por um triz
Darei largas à minha loucura
E já ninguém me segura
Quando eu voltar sonhador
Eu hei-de ser belo e sedutor
Tu vais por uso e costume
Enlouquecer de ciúmes
Vou-me rir muito
Vou gozar mais
Vou cantar o sol-e-dó
Perder-me em doses fatais
Tu vais ver só
O pé de vento que se vai levantar
Comigo a rodopiar
Coça, coça a barriga
Pantominas
Coça, coça a barriga
Patavinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Coça, coça a barriga
Vitaminas
Coça, coça a barriga
Nicotinas
Eu sou o "Coça Barriga"
Coça Barriga, Fausto
terça-feira, 6 de julho de 2010
Pérola Popular
Música Regional Portuguesa, recolha de Giacometti e Lopes Graça.
Faixa: Entrai Pastores, pertencente ao volume do Alentejo.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
História dos Povos em Documentário (14)
Welcome to North Korea
Mais um apontamento sobre a Coreia do Norte de Bernardino Soares... sim, aquele país tão democrático...
História dos Povos em Documentário (13)
Undercover In The Secret State North Korea
E ainda há fedelhos ortodoxos na Assembleia, adeptos de um centralismo democrático retrógrado e mofento, que afirmam a pés juntos que a Coreia do Norte é um país democrático!!!
O ridículo...
domingo, 20 de junho de 2010
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Nouvelle musique 90/00
Radiohead - Pyramid Song
Sigur Rós - Untitled #1 (Vaka)
BJORK, BACHELORETTE
Para não pensarem que só gramo a "Classic Music"...
terça-feira, 1 de junho de 2010
História dos Povos em Documentário (12)
Occupation 101 (2006)
O Terrorismo do Estado israelita continua.
Ontem o exército invadiu navios tripulados por activistas de vários pontos do mundo.
Digo a esses senhores... o aparthied ao povo da Palestina não durará...
quarta-feira, 26 de maio de 2010
chanson française
Patricia Kaas, Et s'il fallait le faire
Esta mulher é boa todos os dias (desculpem a brejeirice)... A Piaf, se a conhecesse, ficaria com ciúmes...
Por incrível que pareça, esta canção foi seleccionada, em 2009, para o telelixo da Eurovisão e ficou em 8.º lugar. O povinho quer é bailarinas de coxa grossa e Kens plastificados com os biceps à mostra...
Come on girl shake your bum bum...
terça-feira, 11 de maio de 2010
Panorama nazional apostólico
Quando é que isto vai acabar?
Está em Portugal o Papa Bento XVI, manda chuva de um cubículo dentro da cidade de Roma, que tem a pretensão de tornar as nossas alminhas iguais, sem excepção.
As televisões cá do feudo não dão outra coisa. Não pensam que existe outras fés, posições ou mesmo pessoas que não estão para aí viradas.
Ontem, o Prós e Contras, mais parecia um prós e prós e prós... Não havia um contra que fosse, com palmas e mais palmas e mais palmas, quase vomitei de tanta mediocridade. O sim senhor, o sim meu chefe, o sim padre Silva, o sim senhor Presidente do Conselho, continua a durar neste país.
A pior ideologia que tivemos cá no burgo, um fascismozito (que muitos dizem que não foi) canonizado de Fátimas burlescas e de sacrossantos salazares pios, teve como base de sustentação a própria igreja católica, que viu na fantochada erguida em São Bento (de 1928 até 1974, desculpem, para mim até aos dias de hoje) um braço político para mandar num povo analfabeto e afastar diabos vermelhos de olhos e ouvidos virados para Leste.
Este país foi podre...nunca deixou de estar pobre.
Para muitos o Deus, Pátria, Família é doutrina válida ainda em pleno século XXI. Pois é, o que querem é orelhas baixas, pouco pensamento, seguindo o rebanho ordeiro e obedecendo... sim Obedecer, porque tens de obedecer.
E o dedo sujo continua.
Está em Portugal o Papa Bento XVI, manda chuva de um cubículo dentro da cidade de Roma, que tem a pretensão de tornar as nossas alminhas iguais, sem excepção.
As televisões cá do feudo não dão outra coisa. Não pensam que existe outras fés, posições ou mesmo pessoas que não estão para aí viradas.
Ontem, o Prós e Contras, mais parecia um prós e prós e prós... Não havia um contra que fosse, com palmas e mais palmas e mais palmas, quase vomitei de tanta mediocridade. O sim senhor, o sim meu chefe, o sim padre Silva, o sim senhor Presidente do Conselho, continua a durar neste país.
A pior ideologia que tivemos cá no burgo, um fascismozito (que muitos dizem que não foi) canonizado de Fátimas burlescas e de sacrossantos salazares pios, teve como base de sustentação a própria igreja católica, que viu na fantochada erguida em São Bento (de 1928 até 1974, desculpem, para mim até aos dias de hoje) um braço político para mandar num povo analfabeto e afastar diabos vermelhos de olhos e ouvidos virados para Leste.
Este país foi podre...nunca deixou de estar pobre.
Para muitos o Deus, Pátria, Família é doutrina válida ainda em pleno século XXI. Pois é, o que querem é orelhas baixas, pouco pensamento, seguindo o rebanho ordeiro e obedecendo... sim Obedecer, porque tens de obedecer.
E o dedo sujo continua.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Estados de Espírito
Apetece-me sair daqui e ir de vez para o planeta Marte.
Este país caiu em todos os lugares-comuns...
Continua o país dos três f (s). Fátima, Fado e Futebol.
Deixo aqui mais um f. Não de fé, nem de falência... mas sim outro...
F****-se.
Este país caiu em todos os lugares-comuns...
Continua o país dos três f (s). Fátima, Fado e Futebol.
Deixo aqui mais um f. Não de fé, nem de falência... mas sim outro...
F****-se.
domingo, 2 de maio de 2010
Psicologia dos pescadores, segundo Eduardo C. N. Pereira
Câmara de Lobos, vista para o Bairro do ilhéu (1890)
Uma psicologia especial distinta da do resto da população madeirense, é a dos pescadores de todos os centros piscatórios do arquipélago. Apenas desmamados criam-se, por assim dizer, dentro de água, familiarizando-se com as ondas. Aos sete amos atiram-se para dentro dos barcos, adestrando-lhes os braços na força dos remos e o corpo nas vergastadas das vagas. Como bons marinheiros singram em todas as direcções, apoitam em todas as alturas; perdem de vista a terra, a família, a vida. Não há ano que não paguem ao mar o dízimo duma , não se vista de luto meia colónia e não saiam a esmolar dezenas de órfãos sem pão. Mas mal acabam de enterrar os náufragos duma tempestade, logo se metem ao mar afrontando os elementos ainda em fúria que os matou.
Aglomerados em colónias, os pescadores formam como que uma classe à parte da restante população. Isolam-se na sua vida, costumes, dialecto e conceitos sociais. em todos os centros piscatórios há bairros próprios, por eles escolhidos livremente, onde a sua existência é hereditária em tudo, desde a posse das habitações à herança das alcunhas. [...] Estes Bairros notam-se em toda a parte por serem velhos, sujos e miseráveis; é sua feição característica e invensível contra o progresso e contra a lei. Fechando o círculo do seu isolamento, os homens agrupam-se às companhas em terra como no mar, e as mulheres trabalham e convivem dentro dessa afinidade.
Pobres, humildes, boçais e geralmente analfabetos, os pescadores limitam suas ambições aos estreitos horizontes do bairro e da família: o pão de cada dia, uma casa e um barco são as suas maiores aspirações. Têm entretanto consciência da sua inferioridade não se conformando com esse desnível social, pelo que são invejosos e maldizentes das outras classes, A alma, todavia, é grande e generosa, aberta e larga como o mar. A vida doméstica, que tem por hábitos de colmeia, dá-lhes solidariedade e independência, personalidade e carácter. Compartilham da vida em comum como do sentir e haveres; socorrem-se uns aos outras em todas as necessidades. São simples, pacíficos e bons, mas ofensa feita a um é fogo ateado em toda a colónia, e nada os intimida nem contém: armam-se de fisgas e navalhões, atiçados os homens pelas mulheres, e unidos todos em massa para a morte ou para a vida, para o que der e vier. Ciosos da sua boa fé, do honrado proceder da sua classe e da solidariedade geral, vingam todas as afrontas em comum. Rudes e impetuosos como o mar, não são subservientes nem tartufos para ninguém. Apesar de honestos, concebem a moral sem certos prejuízos e preconceitos e a promiscuidade da vida a que os obriga e habituou sua condição social, não afronta a morigeração geral dos costumes.
O contacto com a imensidade do oceano, com a grandeza das tormentas e com os mistérios do infinito, fez do pescador um contemplativo e um crente, duma fé arreigada e fortalecida pelo mar, porque este todos os dias lhes levanta o pensamento para Deus e invoca-O em horas de perigo e bendizendo-O de mãos postas, em horas de felicidade.[...]
Os santos patronos dos pescadores são seus companheiros de todas as horas e viagens, pendentes do pescoço em medalhas e escapulários, cosidos ao surrão dos casacos, lembrados nos nomes dos barcos e invocados em horas de tormenta. Não deixam, no entanto, de ser tão supersticiosos como devotos: de mistura com imagens de santos usam bentinhos ou defesas contra feitiços; à bênção de cada barco juntam um chifre de boi contra o mau olhado; quando voltam do mar sem peixe, procuram mulher de virtudes para desenfeitiçar os aparelhos.
O trabalho é para os pescadores uma necessidade como a assistência mútua um dever. O lucro pingue ou magro, reparte-se em quinhões não esquecendo o mealheiro dos inválidos e doentes, muito embora venham a adoecer de privações os que os socorrem. As economias, porém, que o pescador devia guardar em seu proveito, consome-as em álcool, muitas vezes em prejuízo da família, chegando até a penhorar para o mesmo fim trabalho e dinheiros futuros. [...]
Não se conhecem os pescadores senão por alcunhas e, com o mesmo desrespeito com que se chasqueiam e insultam ridicularizando qualidades físicas e morais, assim falam. Falam e praguejam à mistura. O juramento em nome de Deus e dos santos patronos, a cuja invocação se descobrem respeitosamente, abona duma maneira irrefragável todas as afirmações.
Eduardo C. N. Pereira, Ilhas de Zargo, 1957.
Como filho de Câmara de Lobos, Eduardo Pereira elaborou, com conhecimento de causa, esta fantástica descrição da população piscatória, mais conhecida pelo xavelhas.
Eu como xavelha de berço, nascido e criado (e com todo o orgulho), tezinho da parte do pai e marada da parte da mãe (as alcunhas xavelhas são por demais), corroboro em quase tudo o que aqui foi escrito.
Uma psicologia especial distinta da do resto da população madeirense, é a dos pescadores de todos os centros piscatórios do arquipélago. Apenas desmamados criam-se, por assim dizer, dentro de água, familiarizando-se com as ondas. Aos sete amos atiram-se para dentro dos barcos, adestrando-lhes os braços na força dos remos e o corpo nas vergastadas das vagas. Como bons marinheiros singram em todas as direcções, apoitam em todas as alturas; perdem de vista a terra, a família, a vida. Não há ano que não paguem ao mar o dízimo duma , não se vista de luto meia colónia e não saiam a esmolar dezenas de órfãos sem pão. Mas mal acabam de enterrar os náufragos duma tempestade, logo se metem ao mar afrontando os elementos ainda em fúria que os matou.
Aglomerados em colónias, os pescadores formam como que uma classe à parte da restante população. Isolam-se na sua vida, costumes, dialecto e conceitos sociais. em todos os centros piscatórios há bairros próprios, por eles escolhidos livremente, onde a sua existência é hereditária em tudo, desde a posse das habitações à herança das alcunhas. [...] Estes Bairros notam-se em toda a parte por serem velhos, sujos e miseráveis; é sua feição característica e invensível contra o progresso e contra a lei. Fechando o círculo do seu isolamento, os homens agrupam-se às companhas em terra como no mar, e as mulheres trabalham e convivem dentro dessa afinidade.
Pobres, humildes, boçais e geralmente analfabetos, os pescadores limitam suas ambições aos estreitos horizontes do bairro e da família: o pão de cada dia, uma casa e um barco são as suas maiores aspirações. Têm entretanto consciência da sua inferioridade não se conformando com esse desnível social, pelo que são invejosos e maldizentes das outras classes, A alma, todavia, é grande e generosa, aberta e larga como o mar. A vida doméstica, que tem por hábitos de colmeia, dá-lhes solidariedade e independência, personalidade e carácter. Compartilham da vida em comum como do sentir e haveres; socorrem-se uns aos outras em todas as necessidades. São simples, pacíficos e bons, mas ofensa feita a um é fogo ateado em toda a colónia, e nada os intimida nem contém: armam-se de fisgas e navalhões, atiçados os homens pelas mulheres, e unidos todos em massa para a morte ou para a vida, para o que der e vier. Ciosos da sua boa fé, do honrado proceder da sua classe e da solidariedade geral, vingam todas as afrontas em comum. Rudes e impetuosos como o mar, não são subservientes nem tartufos para ninguém. Apesar de honestos, concebem a moral sem certos prejuízos e preconceitos e a promiscuidade da vida a que os obriga e habituou sua condição social, não afronta a morigeração geral dos costumes.
O contacto com a imensidade do oceano, com a grandeza das tormentas e com os mistérios do infinito, fez do pescador um contemplativo e um crente, duma fé arreigada e fortalecida pelo mar, porque este todos os dias lhes levanta o pensamento para Deus e invoca-O em horas de perigo e bendizendo-O de mãos postas, em horas de felicidade.[...]
Os santos patronos dos pescadores são seus companheiros de todas as horas e viagens, pendentes do pescoço em medalhas e escapulários, cosidos ao surrão dos casacos, lembrados nos nomes dos barcos e invocados em horas de tormenta. Não deixam, no entanto, de ser tão supersticiosos como devotos: de mistura com imagens de santos usam bentinhos ou defesas contra feitiços; à bênção de cada barco juntam um chifre de boi contra o mau olhado; quando voltam do mar sem peixe, procuram mulher de virtudes para desenfeitiçar os aparelhos.
O trabalho é para os pescadores uma necessidade como a assistência mútua um dever. O lucro pingue ou magro, reparte-se em quinhões não esquecendo o mealheiro dos inválidos e doentes, muito embora venham a adoecer de privações os que os socorrem. As economias, porém, que o pescador devia guardar em seu proveito, consome-as em álcool, muitas vezes em prejuízo da família, chegando até a penhorar para o mesmo fim trabalho e dinheiros futuros. [...]
Não se conhecem os pescadores senão por alcunhas e, com o mesmo desrespeito com que se chasqueiam e insultam ridicularizando qualidades físicas e morais, assim falam. Falam e praguejam à mistura. O juramento em nome de Deus e dos santos patronos, a cuja invocação se descobrem respeitosamente, abona duma maneira irrefragável todas as afirmações.
Eduardo C. N. Pereira, Ilhas de Zargo, 1957.
Como filho de Câmara de Lobos, Eduardo Pereira elaborou, com conhecimento de causa, esta fantástica descrição da população piscatória, mais conhecida pelo xavelhas.
Eu como xavelha de berço, nascido e criado (e com todo o orgulho), tezinho da parte do pai e marada da parte da mãe (as alcunhas xavelhas são por demais), corroboro em quase tudo o que aqui foi escrito.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
A sinceridade do povo
Oh minha mãe dos trabalhos
Para quem trabalho eu
Trabalho mato o meu corpo
Não tenho nada de meu
Quadra popular
Para quem trabalho eu
Trabalho mato o meu corpo
Não tenho nada de meu
Quadra popular
domingo, 25 de abril de 2010
Canções para uma revolução - Para não dizer que não falei das flores
Geraldo Vandré - P'ra não dizer que não falei das flores (1968)
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