domingo, 11 de novembro de 2007

Palavras doces ouvidas através da memória do jugo natal

- Sua alma encardida, alma excomungada... a balafêma da tua irmã que disse de mim?Eu?! O diabo é que lhe vai levar para as portas do Bataclá para os cornos do inferno, sua porta da Sé, filha de 7 p*t*s...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Ritenuto . .. Presto... Prestissimo



- Renasce filha, estás perdoada!

La cadenza em ritmo de Pasodoble




- Alguém tem um fósforo que me empreste?

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Casta Diva - Una provocatione fantastica



Trechos de ópera imortalizados pela madame Callas há aos montes... Mais, todas as divas seguem quase à risca a sua poderosa interpretação da Casta Diva da Norma do compositor belcantista Bellini.

Deixo-vos aqui o mesmo trecho com a signora Cecília Bartoli (mais dada ao reportório barroco, com um Vivaldi magnífico!)reproduzido no seu último CD, todo ele um tributo a la maniera da Diva oitocentista Maria Malibran.

Gosto. Não exagera em dramatismos vocais callianos, assumindo uma serenidade digna de notar.

Há quem não aprecie este esforço. Fica ao critério do ouvinte.

Locus Iste - Bruckner



Partindo de uma tradução bem rasca do latim, se não fosse ateu diria Esta é a casa onde está/existe Deus.

Bruckner no seu melhor...

Imagem com gente dentro [14]




Linha de caminho de ferro (Funchal - Monte - Terreiro da Luta), algures no início do século XX.

- E da gente dentro que não vejo?

domingo, 4 de novembro de 2007

O Elnet burguês inalado em cházinhos de benificência

- quero duas colheres de açucar por favor...

(que ouriço! Credo... meu Deus esta gente não sabe viver...)

- Então como vai a sua menina Maria do Carmo? já foi para a terra do noivo conhecer os futuros sogros? é verdade que o seu futuro cunhado herdará a fábrica de lanifícios Rodrigues da Covilhã? Que bom! deve estar contentíssima...

(esse é que era homem para a minha filha, não para aquela engomadinha que nem falar sabe...)

- Então onde se conheceram? oh! que giro! no baile aqui no casino... deve ter sido tão romântico!

(bem disse à tonta da minha filha para vir até cá em vez de escrever rabiscos em papelinhos para o filho do merceeiro)

- Então amigas como vamos fazer neste Natal para com os pobrezinhos? estive a pensar em roupinhas de criança, até tenho de parte as que ficaram da minha Jeninha, mais uns bolinhos e croquetes para os meninos do sanatório e uns napronzinhos de croché filigranados das mesinhas de cabeceira para os do Bairro de São Julião, se as tiverem claro. Com essa gente não podemos contar com nada, talvez nem saibam o que é isso. São tão mal agradecidos...

A cassete proletária difundida em laivos de charme

(Aguenta lá esses olhos na minha cicatriz porra! aí mesmo, no canto da boca)

porque o mundo burguês, pá, só se aproveita dos trabalhadores para enriquerecer pá...

(foca-te no meu movimento corporal... mais um pouco e já caíste)

porque os cinco tostões que ganhas são só arrotos da burguesia

(repara na minha mão a tocar subtilmente no cabelo seboso de gordura proletária)

porque as vítimas dos regimes fascistas...

(fixa o meu modo de aconchegar o sexo por cima das calças)

porque a gente pá... unidos pá venceremos esta burguesia filha da puta controladora do capital

(então não é desta pá... pronto, pronto... mais um movimento... observa como cruzo a minha encharpe palestiniana pelo pescoço)

Porque a malta não está unida pá porque dispersa-se em lutas pequenas pá que não nos levam a parte nenhuma, pá a luta pá é só uma... só uma..

(encontro os teus olhos nas minhas tenis rotas... pá... não está a dar resultado.)

E unidos venceremos...





[Depois da reunião do grupo de trabalho...]

- Dolores, fiquei enojada com o Manuel Zebedeu.

- Então camarada? porquê? que pensamentos são esses? olha que vou comunicar ao comité central!!! Não pode ser ... estás a aburguesar... a nossa missão... pá... a nossa missão[...]




(Deixei a Dolores em Santos e vagueio sozinha pela margem deste petróleo aquático unido por uma ponte... estou sozinha...)




Hoje, 31 de Janeiro de 1976. vinte e oito anos, quatro meses, seis dias. Conto a idade como contas de um longo rosário. O tempo pesa-me nos ombros... amanhã acordarei para o morno dia da manhã. Da fábrica ficou o que não encontrei...

domingo, 21 de outubro de 2007

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Canções do PREC [7]





Agora o poeta que não é castrado - ARY DOS SANTOS