quarta-feira, 18 de julho de 2007

terça-feira, 10 de julho de 2007

Imagem com gente dentro [11]



Borracheiro a esvaziar o vinho para uma pipa,s/d.

Que coisa é essa senhor Vicente?
Que máquina é essa?
E... que luz?!
O que disse?
Fotogramia? Ahn? Fotografia?
Para que serve isso?

Bem, se este vinho fosse meu dava-lhe um copo... mas não é...

Mesmo assim, o que disse foi fotografia?


[e desceu a encosta mais aliviado. Seria da insólita descoberta ou do peso que não
trazia nos ombros?]

segunda-feira, 9 de julho de 2007

De apóstolos e de anjos e a fusão num só nome



Peter Gabriel, Mercy Street

Dos Génesis à World Music... Um Senhor!!! (com sotaque à nortanho)

Poucos conseguem tornar a música num elemento natural. Este homem consegue. Principalmente na fase Wold Music.
Recomendo igualmente o catálogo discográfico da sua editora REAL WORLD.

[...]
Falta-me a ciência inspiradora ou a inspiração científica de Pedro, sim...o Gabriel.
[...]

D. F., Livro das Evidências

domingo, 1 de julho de 2007

Imagem com gente dentro [10]




Pescadores a descarregar peixe espada preto (próximo da baía do Funchal), antes de 1934.

Odores de àgua salgada e de peixe que estiveram presentes na minha infância e juventude... marcas da profissão dos meus ancestrais. Digo-vos, um trabalho de cão.

Quem anda ao mar não tem dia nem tem hora (Quadrilha)

deambulando pelos livros de um mestre

Chego agora aos campos e espaçosos palácios da memória onde se encontram os tesouros das inumeráveis imagens de toda espécie de coisas introduzidas pelas percepções; onde estão também depositados todos os produtos do nosso pensamento, obtidos através da ampliação, redução ou qualquer outra alteração das percepções dos sentidos, e tudo aquilo que nos foi poupado e posto à parte ou que o esquecimento ainda não absorveu e sepultou.


Jorge Luís Borges

sábado, 23 de junho de 2007

Bruckner Zen



Eis um excerto do segundo andamento da 7ª sinfonia de A. Bruckner, dirigida pelo maestro Abbado. Ainda não me esqueci da versão do mago Celibidache (mais lenta e transparente), mas recomendo esta pelo seu lirismo à flor da pele.

Meu amigos... Eu já voei ao som desta obra... sim, voei! Acordei e pensei que tinha superado o sofrimento. Levantei-me e abri as portadas da janela do meu quarto... olhei por cima da cidade e vi que o meu nirvana não modificou a sua cadência... os transeuntes desconexos subiam as ruas carregados de sacos pensativos... o sofrimento voltou... só verdadeiramente o conseguirei ultrapassar quando, num movimento colectivo, conseguirmos atingir o corte com a vida anterior e assim poderemos nos elevar até à morada da felicidade... Utopias... eu sei. Até lá, não me resigno! Procurarei uma ínfima parte da minha profecia nos sons ciclicos das sinfonias de Bruckner.
Até à eternidade...

quinta-feira, 21 de junho de 2007

As Transmutações

(as transmutações)


Escultura: objecto

Objectos para a criação de espaços. Espelhos para a criação de imagens. Pessoas para a criação de silêncio.

Objectos para a criação de espelhos para a criação de pessoas para a criação de espaço para a criação de imagens para a criação de silêncio.

Objectos para a criação de silêncio.


Herberto Hélder, Photomaton & Vox.

domingo, 17 de junho de 2007

Lua Nha Testemunha [letra e música]





Cata pensá nhá cretcheu
Ni bô cata imaginá,
c'ma longe di bô mi tem sofrido
Perguntá luá na ceu,
lua nha companheira... di solidão

Lua
Vagabunda di espaço
Qui contche tudo nha vida
E na desventura
El, qui tá contábu nha cretcheu
Tudo qui tem sofrido
Na ausência e na distância

Mundo...
Bô tên rolado cum mim
Nun jogo di cabra cega
Semp ta perseguirme
Pa, cada volta qui mundo dá,
El tá traze-me un dor
Pra me tchegar mas, pa Deus


Lua minha testemunha...A deusa do Ébano canta um dos poemas jucosos dos dez cães mais melómanos que conheço. Ouvindo este português adocicado pelo sol, eles não estão estáticos. Balançam oivando ao luar, levados pelas rítmicas mornas e ondas do Atlântico.

sábado, 16 de junho de 2007

Imagem com gente dentro [9]



Sé do Funchal [a primeira Sé portuguesa a ser construida fora do Reino], algures na década 40.

O cão esteve com pulgas e carraças... coçou-se até mais não e ficou em ferida... Essa solidificou-se em tempos e em pedra... e a crosta jamais saiu do seu corpo. As pulgas e carraças já não mordem. Submetem-se ao terror escatológico do edifício matricial...

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Apelo à minha consciência [4]

Somos a memória que temos e a responsabilidade
que assumimos, sem memória não existimos, sem
responsabilidade talvez não mereçamos existir.




José Saramago, Cadernos de Lanzarote, vol. II.