Somos a memória que temos e a responsabilidade
que assumimos, sem memória não existimos, sem
responsabilidade talvez não mereçamos existir.
José Saramago, Cadernos de Lanzarote, vol. II.
É uma ilha em forma de cão sentado com a cabeça inclinada para perscrutar o enigma da água. O cão tem as orelhas fitas porque recebe notícias de vento ao mesmo tempo que cheira e olha o mar. O cão está sentado no Atlântico. Herberto Helder, Photomaton & Vox
quinta-feira, 14 de junho de 2007
domingo, 10 de junho de 2007
Café con libros [1]
Este é o título de um curioso programa da televisão regional das Astúrias que tem como objectivo dar a conhecer os autores da literatura mundial.
Sobre a portuguesa foram já realizados quatro programas!!!
Começaremos este ciclo por Miguel Torga...
Sobre a portuguesa foram já realizados quatro programas!!!
Começaremos este ciclo por Miguel Torga...
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Imagem com gente dentro [8]

Chegada de um vapor à Baía da cidade do Funchal. Criança empoleirada numa canoa,s/d.
É do mar que melhor se olha a grandeza daquele espécime canino.
No clamor luzidio das suas águas navegam cidades em plataformas gigantes dos países que eu, em jovem, acenei.
Com o mar um dia partirei. Fugirei destes carunchosos desmazelos e dos ardores incómodos de vida (encontrarei outros? certamente...).
Se voltar, não sei se virei pelo mar...
Se voltar vou querer olhá-lo, guardando em mim todos os anos da sua ausência.
Entrementes, não me resigno... Esperarei atento as sirenes do temporário abandono.
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Dedicatória
Para M.
Händel, "Io t'abbraccio", ópera Rodelinda.
Intérpretes: Andreas Scholl & Anna Caterina Antonacci
Apelo à minha consciência [3]
Dá-me uma ajuda, ó médico das almas
para escolher em que combate combater
Quem condeno eu à vida
Quem condeno eu à morte
Que me podes tu dizer
Encostado à árvore do tempo
Folhas mortas, folhas vivas, estações
Nada disto faz sentido
E o sentido do sentido
Não paga as refeições
Este torpor só tem uma solução
Sejamos deuses, é meter as mãos à obra
E no fazendo acontecendo
Deixar ir o coração
Que é o que nos sobra
Ao fazer-se, o mundo nasce de si próprio
Ser avô é uma alegria atravessada
Dá p'ra rir e p'ra chorar
Não temos nada com isso
E o nada não é nada
Disseste um dia que tudo vale a pena
Tornar as almas mais pequenas é que não
Vamos sobre duas patas
Juntar as partes da antena
Espalhadas pelo chão
Fecha a porta que vem frio lá de fora
Diz o coxo aos despernado, e eu aqui
Fui à procura de mim
Encontrei-me mesmo agora
E ainda não fugi
O tempo corre por entre pívias e manhas
E tudo fica cada vez mais como está
Mas ao correr desta pena
Não fico à espera que venhas
Eu já sou o que virá
Emigrantes da quarta geração (carta a J.C.), José Mário Branco
para escolher em que combate combater
Quem condeno eu à vida
Quem condeno eu à morte
Que me podes tu dizer
Encostado à árvore do tempo
Folhas mortas, folhas vivas, estações
Nada disto faz sentido
E o sentido do sentido
Não paga as refeições
Este torpor só tem uma solução
Sejamos deuses, é meter as mãos à obra
E no fazendo acontecendo
Deixar ir o coração
Que é o que nos sobra
Ao fazer-se, o mundo nasce de si próprio
Ser avô é uma alegria atravessada
Dá p'ra rir e p'ra chorar
Não temos nada com isso
E o nada não é nada
Disseste um dia que tudo vale a pena
Tornar as almas mais pequenas é que não
Vamos sobre duas patas
Juntar as partes da antena
Espalhadas pelo chão
Fecha a porta que vem frio lá de fora
Diz o coxo aos despernado, e eu aqui
Fui à procura de mim
Encontrei-me mesmo agora
E ainda não fugi
O tempo corre por entre pívias e manhas
E tudo fica cada vez mais como está
Mas ao correr desta pena
Não fico à espera que venhas
Eu já sou o que virá
Emigrantes da quarta geração (carta a J.C.), José Mário Branco
terça-feira, 29 de maio de 2007
segunda-feira, 28 de maio de 2007
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